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<channel><title><![CDATA[Centro de Educa&ccedil;&atilde;o Montessori de S&atilde;o Paulo - CEMSP - Blog]]></title><link><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog]]></link><description><![CDATA[Blog]]></description><pubDate>Wed, 14 Oct 2026 14:06:49 -0300</pubDate><generator>Weebly</generator><item><title><![CDATA[Sobre Interpretações de Montessori]]></title><link><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/sobre-interpretacoes-de-montessori]]></link><comments><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/sobre-interpretacoes-de-montessori#comments]]></comments><pubDate>Tue, 20 Feb 2018 22:11:15 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.metodomontessori.com.br/blog/sobre-interpretacoes-de-montessori</guid><description><![CDATA[Este texto foi publicado em minha p&aacute;gina pessoal de Facebook h&aacute; alguns dias. Ele teve mais repercuss&atilde;o do que eu imaginei que teria e trouxe mais reflex&atilde;o do que eu achei que traria. Compartilho agora aqui para que possamos discutir a ideia e as consequ&ecirc;ncias dela, e possamos usar o espa&ccedil;o dos coment&aacute;rios para manter o di&aacute;logo aberto.      &Eacute; sempre imposs&iacute;vel separar nossas interpreta&ccedil;&otilde;es de Montessori daquilo que [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:center;"><em>Este texto foi publicado em minha p&aacute;gina pessoal de Facebook h&aacute; alguns dias. Ele teve mais repercuss&atilde;o do que eu imaginei que teria e trouxe mais reflex&atilde;o do que eu achei que traria. Compartilho agora aqui para que possamos discutir a ideia e as consequ&ecirc;ncias dela, e possamos usar o espa&ccedil;o dos coment&aacute;rios para manter o di&aacute;logo aberto.</em></div>  <div><div style="height: 20px; overflow: hidden; width: 100%;"></div> <hr class="styled-hr" style="width:100%;"></hr> <div style="height: 20px; overflow: hidden; width: 100%;"></div></div>  <div class="paragraph"><strong>&Eacute; sempre imposs&iacute;vel separar nossas interpreta&ccedil;&otilde;es de Montessori daquilo que Montessori disse</strong>. N&oacute;s nunca lemos o que ela disse, lemos o que podemos entender, o que faz sentido para n&oacute;s, e portanto lemos interpretando.<br /><br />Isso n&atilde;o est&aacute; errado, n&atilde;o &eacute; uma falha e n&atilde;o &eacute; crime. Mas isso leva a tr&ecirc;s consequ&ecirc;ncias importantes.<br /><br />Primeiro, n&oacute;s precisamos falar o que pensamos que Montessori &eacute;. Se somos professores, pesquisadores ou gestores montessorianos, precisamos estar com outros montessorianos e dizer o que achamos que Montessori &eacute;. O que achamos que liberdade &eacute;. O que achamos que material &eacute;. N&oacute;s precisamos FALAR porque quando falarmos, vamos ver a rea&ccedil;&atilde;o do outro, e a&iacute; vamos saber se todos compartilham de nossa interpreta&ccedil;&atilde;o ou se...<br /><br />...s&oacute; aqueles que convivem conosco...<br /><br />...s&oacute; aqueles que nos ouvem muito...<br /><br />...s&oacute; aqueles que trabalham para n&oacute;s...<br /><br />...s&oacute; nossos alunos de forma&ccedil;&atilde;o...<br /><br />&#8203;...s&oacute; aqueles que se formaram no mesmo curso que n&oacute;s...<br /><br />compartilham de nossa opini&atilde;o. Nesse caso, vale a pena pensar. Sua interpreta&ccedil;&atilde;o pode ser diferente da de outra pessoa e estar certa. Mas &eacute; importante voc&ecirc; saber de outras interpreta&ccedil;&otilde;es.<br /><br />Segundo, &eacute; fundamental reler Montessori. Podemos ler livros de outros autores, apostilas, manuais, blogs, assistir a v&iacute;deos e seguir p&aacute;ginas. Mas &eacute; fundamental reler Montessori. Ler e reler. N&atilde;o porque l&aacute; esteja a verdade universal, mas porque reler Montessori &agrave; luz de novas experi&ecirc;ncias nos mostra &acirc;ngulos que n&atilde;o v&iacute;amos de Montessori e &acirc;ngulos que n&atilde;o v&iacute;amos da crian&ccedil;a.<br /><br />Terceiro, &eacute; importante ouvir. &Eacute; importante ler outras interpreta&ccedil;&otilde;es, escutar outras interpreta&ccedil;&otilde;es, assistir outras interpreta&ccedil;&otilde;es. O fato de algu&eacute;m pensar, dizer ou fazer Montessori diferente de voc&ecirc; n&atilde;o quer dizer que &eacute; pior - veja bem, PODE SER, mas n&atilde;o necessariamente &eacute;. Pode ser, e frequentemente &Eacute;, que ouvindo outras interpreta&ccedil;&otilde;es voc&ecirc; mude a sua.<br /><br />A Association Montessori Internationale acaba de reconhecer oficialmente, em um encontro nos Estados Unidos, que interpreta&ccedil;&otilde;es r&iacute;gidas mantidas por muito tempo estavam levando Montessori &agrave; decad&ecirc;ncia, &agrave; irrelev&acirc;ncia e ao desaparecimento. E v&atilde;o reinterpretar agora. Se a AMI, que tem um hist&oacute;rico de seriedade e rigidez intelectual, est&aacute; fazendo isso, n&oacute;s todos podemos fazer. Mais. Todos n&oacute;s temos o dever de fazer.</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Montessori e Igualdade - Descobertas Recentes]]></title><link><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/montessori-e-igualdade-descobertas-recentes]]></link><comments><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/montessori-e-igualdade-descobertas-recentes#comments]]></comments><pubDate>Thu, 09 Nov 2017 17:20:01 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.metodomontessori.com.br/blog/montessori-e-igualdade-descobertas-recentes</guid><description><![CDATA[N&oacute;s sabemos desde 2006 que quando corretamente utilizada, a pedagogia montessoriana d&aacute; &agrave;s crian&ccedil;as oportunidades melhores que a educa&ccedil;&atilde;o tradicional, e conduz a resultados superiores tanto no que diz respeito ao desempenho acad&ecirc;mico, quanto no que tange ao prazer da crian&ccedil;a na escola e a qualidade de suas formas de socializa&ccedil;&atilde;o. Isso foi explicado por Angeline Lillard em um celebrado artigo publicado na revista Science. Desde l [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">N&oacute;s sabemos desde 2006 que quando corretamente utilizada, a pedagogia montessoriana d&aacute; &agrave;s crian&ccedil;as oportunidades melhores que a educa&ccedil;&atilde;o tradicional, e conduz a resultados superiores tanto no que diz respeito ao desempenho acad&ecirc;mico, quanto no que tange ao prazer da crian&ccedil;a na escola e a qualidade de suas formas de socializa&ccedil;&atilde;o. Isso foi explicado por Angeline Lillard em um celebrado artigo publicado na revista Science. Desde l&aacute;, a pesquisadora n&atilde;o cessa de nos desafiar a dar passos mais corajosos em duas dire&ccedil;&otilde;es: uma aplica&ccedil;&atilde;o que ela chama de &ldquo;mais fiel&rdquo; &agrave;s ideias de Montessori e uma expans&atilde;o corajosa do alcance dessas ideias. Estou para escrever este texto desde julho, mas s&oacute; agora posso fazer isso, porque as descobertas que Lillard comunicou no Congresso Internacional de Montessori, em Praga, acabam de ser publicadas em um novo artigo.<br />&#8203;<br />Antes de continuarmos: <em>o estudo foi conduzido em escolas montessorianas ligadas </em><em>&agrave;</em><em> Associa</em><em>&ccedil;&atilde;</em><em>o Montessori Internacional, reconhecidas por aplicarem Montessori com alta fidelidade. Abaixo, h</em><em>&aacute;</em><em> um quadro com algumas das caracter</em><em>&iacute;</em><em>sticas dessas escolas</em>.<br /></div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="https://www.metodomontessori.com.br/uploads/7/7/9/5/7795604/tabela-caracter-sticas_orig.jpg" alt="Imagem" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph">Em sua nova pesquisa, que durou tr&ecirc;s anos e envolveu 141 crian&ccedil;as, em escolas tradicionais e montessorianas, Lillard descobriu que n&atilde;o s&oacute; Montessori oferece resultados melhores para todas as crian&ccedil;as, mas o m&eacute;todo tamb&eacute;m &eacute; capaz de resolver a desigualdade de desempenho acad&ecirc;mico entre crian&ccedil;as de classes mais e menos abastadas, assim como ajudar no aprendizado de crian&ccedil;as que n&atilde;o tiveram a oportunidade de um bom desenvolvimento de Fun&ccedil;&otilde;es Executivas no c&eacute;rebro. Explicando, de uma vez, uma solu&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel de verdade para a desigualdade na educa&ccedil;&atilde;o e deixando claro um dos motivos pelos quais a inclus&atilde;o em Montessori efetivamente funciona.<br /><br /><a href="https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2017.01783/full#B49" target="_blank">Veja o artigo completo original aqui.</a><br /><br />Tamb&eacute;m vale a pena assistir &agrave; palestra de Lillard, logo antes da publica&ccedil;&atilde;o, abaixo.<br /></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-large wsite-youtube-align-left"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/z_j55ua9fzE?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="paragraph">Agora, vamos aos resultados.<br /><br />Diferen&ccedil;as entre escolas Montessori e Convencionais<br /><br /><strong>1.<span> </span>Desempenho Acad&ecirc;mico:</strong><br />&bull;<span> </span>Desempenho igual no come&ccedil;o do ano;<br />&bull;<span> </span>Os alunos de Montessori avan&ccedil;aram mais rapidamente.<br />&bull;<span> </span>Uma vez isolados por g&ecirc;nero, renda e desenvolvimento de Fun&ccedil;&otilde;es Executivas, os alunos montessorianos continuaram a ter um desempenho superior.<br />&bull;<span> </span>As principais diferen&ccedil;as apareceram depois de pelo menos um ou dois anos na mesma sala de idades mistas na escola montessoriana.<br></div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0px;margin-right:0px;text-align:center"> <a> <img src="https://www.metodomontessori.com.br/uploads/7/7/9/5/7795604/grafico-1_orig.jpg" alt="Imagem" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph"><strong>&#8203;2.<span> </span>Intelig&ecirc;ncia Social:</strong><br />&bull;<span> </span>Desempenho parecido nos primeiros anos, entre alunos de escolas convencionais e montessorianas.<br />&bull;<span> </span>Desempenho significativamente diferente depois de um ou dois anos na escola montessoriana.<br />&bull;<span> </span>A intelig&ecirc;ncia social se desenvolveu mais rapidamente em crian&ccedil;as que atendiam escolas montessorianas.<br /><br /><strong>3.<span> </span>Resolu&ccedil;&atilde;o de Problemas de Socializa&ccedil;&atilde;o:<br /></strong>&bull;<span> </span>N&atilde;o houve nenhuma diferen&ccedil;a, neste estudo, no que diz respeito &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o de problemas de socializa&ccedil;&atilde;o entre crian&ccedil;as que atendiam escolas montessorianas e crian&ccedil;as que atendiam escolas convencionais.<br /><br /><strong>4.<span> </span>Desenvolvimento de Fun&ccedil;&otilde;es Executivas:</strong><br />&bull;<span> </span>Neste estudo, n&atilde;o houve evid&ecirc;ncias fortes de que as escolas montessorianas envolvidas levassem a um melhor desenvolvimento de Fun&ccedil;&otilde;es Executivas.<br /><br /><strong>5.<span> </span>Orienta&ccedil;&atilde;o para Maestria (Mastery Orientation):</strong><br />&bull;<span> </span>No in&iacute;cio, n&atilde;o houve diferen&ccedil;as no que diz respeito ao prazer de tentar novos desafios, entre crian&ccedil;as das escolas montessorianas e das escolas convencionais.<br />&bull;<span> </span>Crian&ccedil;as na escola montessoriana demonstraram muito mais vontade de tentar novos desafios depois de um ou dois anos na escola montessoriana, com explica&ccedil;&otilde;es como &ldquo;Quero tentar porque acho que consigo&rdquo;.<br /><br /><strong>6.<span> </span>Prazer de Estar na Escola:<br /></strong>&bull;<span> </span>As crian&ccedil;as montessorianas sentem mais de prazer em estar na escola.<br />&bull;<span> </span>Isso indica que seu desempenho superior n&atilde;o ocorre &agrave;s custas da perda do prazer de estar na escola e fazer atividades escolares. (Isso confirma resultados de 2006, inclusive).<br />&bull;<span> </span>O gr&aacute;fico abaixo mostra m&eacute;dias, m&iacute;nimas e m&aacute;ximas das medidas de prazer envolvendo atividades recreativas e de estudo nas escolas convencionais (cinza) e montessorianas (azul).</div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="https://www.metodomontessori.com.br/uploads/7/7/9/5/7795604/gr-fico-2_orig.jpg" alt="Imagem" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph"><strong>7.<span> </span>Criatividade</strong><br />&bull;<span> </span>Ao longo de todo o estudo, n&atilde;o houve diferen&ccedil;as no que diz respeito ao desenvolvimento da criatividade, entre a m&eacute;dia das crian&ccedil;as em Montessori e em escolas convencionais.<br /><br />Agora, ao meu ver, vem a parte mais interessante do estudo, na qual Lillard demonstra que Montessori pode consertar o desn&iacute;vel que existiria entre crian&ccedil;as de diferentes classes sociais na escola.<br /><br /><strong>Diferen&ccedil;as de Desempenho Envolvendo Classes Sociais e Fun&ccedil;&otilde;es Executivas<br /></strong><br /><strong>1.<span> </span>Diferen&ccedil;as entre Montessori e Escolas Convencionais<br /></strong>&bull;<span> </span>As crian&ccedil;as nas escolas montessorianas tiveram um desempenho acad&ecirc;mico muito superior &agrave;s crian&ccedil;as nas escolas convencionais, independente da classe social.<br />&bull;<span> </span>Quando isoladas por classe social, esse desempenho acad&ecirc;mico continuou d&iacute;spar. As crian&ccedil;as com renda familiar muito menor que estavam em escolas montessorianas tiveram desempenhos melhores que as crian&ccedil;as com renda familiar menor em escolas convencionais.<br /><br /><strong>2.<span> </span>Diferen&ccedil;as (ou n&atilde;o) entre crian&ccedil;as com maior e menor renda fam&iacute;lias em Montessori<br /></strong>&bull;<span> </span>No in&iacute;cio, havia uma diferen&ccedil;a marcante entre crian&ccedil;as com maior e menor renda familiar, mesmo na escola montessoriana. Isso valeu para o primeiro ano inteiro.<br />&bull;<span> </span>No segundo ano, essa diferen&ccedil;a se reduziu tanto, que se tornou estatisticamente insignificante.<br />&bull;<span> </span>No terceiro ano, reduziu novamente, mais 33%.<br />&bull;<span> </span>A diferen&ccedil;a entre crian&ccedil;as de maior e menor renda familiar nas escolas convencionais envolvidas no estudo era estatisticamente muito superior &agrave; encontrada entre crian&ccedil;as das escolas montessorianas.<br />&bull;<span> </span>As crian&ccedil;as com maior renda familiar e matriculadas em escolas montessorianas foram as que tiveram o melhor desempenho do estudo, mas a diferen&ccedil;a entre as crian&ccedil;as com menor renda familiar na escola montessoriana e aquelas da escola convencional foi marcante, e as montessorianas se sa&iacute;am muito melhor no final da Educa&ccedil;&atilde;o Infantil.<br></div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="https://www.metodomontessori.com.br/uploads/7/7/9/5/7795604/grafico-3_orig.jpg" alt="Imagem" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph"><strong>3.<span> </span>Diferen&ccedil;as de Desempenho envolvendo diferentes desenvolvimentos de Fun&ccedil;&otilde;es Executivas</strong><br />&bull;<span> </span>No in&iacute;cio, um melhor desenvolvimento de fun&ccedil;&otilde;es executivas era indicativo de um melhor desempenho, tanto nas escolas montessorianas quanto nas escolas convencionais.<br />&bull;<span> </span>Ao longo das medidas, o desenvolvimento de fun&ccedil;&otilde;es executivas continuo sendo um indicativo importante de desempenho para as crian&ccedil;as em escolas convencionais.<br />&bull;<span> </span>Nas escolas montessorianas, o desenvolvimento de fun&ccedil;&otilde;es executivas n&atilde;o se mostrou um indicador relevante de desempenho.<br />&bull;<span> </span>As crian&ccedil;as das escolas montessorianas se sa&iacute;ram melhor, em geral, e isso inclui as crian&ccedil;as com um desenvolvimento de fun&ccedil;&otilde;es executivas pior.<br />&bull;<span> </span>Programas de refor&ccedil;o com o objetivo de melhorar o desenvolvimento de fun&ccedil;&otilde;es executivas s&atilde;o irrelevantes em escolas montessorianas, para equalizar desempenho.<br /><br />H&aacute; uma &uacute;ltima se&ccedil;&atilde;o do estudo sobre diferen&ccedil;as entre escolas p&uacute;blicas e privadas, convencionais, comparadas com escolas montessorianas envolvendo crian&ccedil;as com todos os n&iacute;veis de renda familiar e desenvolvimento de fun&ccedil;&otilde;es executivas. Ela nos interessa menos porque as diferen&ccedil;as entre escolas p&uacute;blicas e privadas no contexto pesquisado &eacute;, em si, muito diferente das diferen&ccedil;as que encontramos aqui. Ainda assim, os resultados foram:<br /><br /><strong>1.<span> </span>Desempenho acad&ecirc;mico</strong><br />&bull;<span> </span>Diferen&ccedil;a marcante e favor&aacute;vel a Montessori, em compara&ccedil;&atilde;o com escolas p&uacute;blicas e com escolas privadas.<br /><br /><strong>2.<span> </span>Intelig&ecirc;ncia Social</strong><br />&bull;<span> </span>Diferen&ccedil;as importantes entre Montessori e escolas p&uacute;blicas, mas n&atilde;o entre Montessori e escolas privadas.<br /><br /><strong>&#8203;3.<span> </span>Fun&ccedil;&otilde;es Executivas</strong><br />&bull;<span> </span>Diferen&ccedil;as marcantes entre as crian&ccedil;as que foram para escolas montessorianas p&uacute;blicas e crian&ccedil;as que foram para escolas convencionais, tamb&eacute;m p&uacute;blicas.<br /><br />Os resultados s&atilde;o estes. Depois, Lillard continua para uma discuss&atilde;o dos poss&iacute;veis motivos para esses resultados, que j&aacute; n&atilde;o envolvem mais a mesma pesquisa, mas uma boa bibliografia pesquisada, tanto no meio cient&iacute;fico espec&iacute;fico da psicologia congnitiva quanto no que diz respeito a Montessori. Futuramente, podemos fazer mais um texto, detalhando a discuss&atilde;o que finaliza o artigo.<br />Para n&oacute;s, do Centro de Educa&ccedil;&atilde;o Montessori de S&atilde;o Paulo, os seus coment&aacute;rios s&atilde;o importantes. O que voc&ecirc; v&ecirc; na sua escola quanto ao que Lillard estudou? A implementa&ccedil;&atilde;o de uma aplica&ccedil;&atilde;o mais fiel ao pensamento de Montessori vem favorecendo suas crian&ccedil;as de forma percept&iacute;vel? Quando voc&ecirc; recebe crian&ccedil;as de outras escolas, como &eacute; a evolu&ccedil;&atilde;o delas em Montessori, ao longo dos anos? Vai ser um prazer ler o que voc&ecirc; tiver para adicionar &agrave; nossa discuss&atilde;o.</div>  <div><div style="height: 20px; overflow: hidden; width: 100%;"></div> <hr class="styled-hr" style="width:100%;"></hr> <div style="height: 20px; overflow: hidden; width: 100%;"></div></div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="https://www.metodomontessori.com.br/uploads/7/7/9/5/7795604/liberte_orig.png" alt="Imagem" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Montessori: O que será?]]></title><link><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/montessori-o-que-sera]]></link><comments><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/montessori-o-que-sera#comments]]></comments><pubDate>Thu, 24 Aug 2017 20:48:34 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.metodomontessori.com.br/blog/montessori-o-que-sera</guid><description><![CDATA[Faz um par de meses. Era s&aacute;bado, quase oito da manh&atilde;, frio de outono, e eu estava ansioso. Por tr&ecirc;s horas, receber&iacute;amos crian&ccedil;as em uma sala quase perfeita. Quase todos os materiais estavam bem dispostos, muitas plantas, mesas e cadeiras aqui e ali, espa&ccedil;o suficiente para as quinze crian&ccedil;as que viriam. S&oacute; havia dois problemas: eu n&atilde;o conhecia nenhuma delas, e todas elas estavam acostumadas a uma aplica&ccedil;&atilde;o de Montessori q [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">Faz um par de meses. Era s&aacute;bado, quase oito da manh&atilde;, frio de outono, e eu estava ansioso. Por tr&ecirc;s horas, receber&iacute;amos crian&ccedil;as em uma sala quase perfeita. Quase todos os materiais estavam bem dispostos, muitas plantas, mesas e cadeiras aqui e ali, espa&ccedil;o suficiente para as quinze crian&ccedil;as que viriam. S&oacute; havia dois problemas: eu n&atilde;o conhecia nenhuma delas, e todas elas estavam acostumadas a uma aplica&ccedil;&atilde;o de Montessori que cedia em alguns aspectos nos quais, naquele dia, n&atilde;o ceder&iacute;amos. Em nossa sala n&atilde;o haveria papel, intervalo, hora do lanche, roda... E eu n&atilde;o sabia nada sobre quem vinha l&aacute;. Somente que algumas das crian&ccedil;as representavam desafios para a equipe docente. Quais, restava-me (n&atilde;o) descobrir. Eu n&atilde;o preciso contar detalhes de como foi. Quase todos voc&ecirc;s que acompanham este blog sabem como &eacute; um primeiro dia. S&oacute; quero escrever sobre duas crian&ccedil;as. Detalhes ser&atilde;o mudados para preservar identidades. As hist&oacute;rias voc&ecirc;s tamb&eacute;m quase conhecem. N&atilde;o s&atilde;o incomuns, e ser&atilde;o s&oacute; uma ilustra&ccedil;&atilde;o.<br />&nbsp;<br />O dia come&ccedil;ou e ele chegou, ressabiado e com olhos grandes, os cabelinhos balan&ccedil;ando enquanto abra&ccedil;ava o pai, meio incerto. S&oacute; entrou depois que me apresentei e pedi que fosse pegar a etiqueta com o seu nome. Quando perguntei com que queria trabalhar, escolheu uma atividade de vida pr&aacute;tica e por uns dez minutos se entregou a ela. N&atilde;o &eacute; a concentra&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo, mas &eacute; um come&ccedil;o de dia tranquilo, sem d&uacute;vidas. E tranquilo foi o resto do dia. Umas tr&ecirc;s vezes o vi vagando sem rumo pela sala, em uma consegui oferecer trabalho, na outra ele se arranjou sozinho com um colega, e na terceira eu n&atilde;o sei. De outra vez estava, com um colega, desmantelando a &aacute;rea de leitura e eu interrompi, por tempo de menos e com confian&ccedil;a demais, o que fez com que eles mudassem de atitude, mas logo voltassem ao que estavam fazendo, e a excelente assistente da sala foi quem resolveu a situa&ccedil;&atilde;o no final. De resto, pintou, desenhou (duas concess&otilde;es que decidimos fazer), trabalhou com Vida Pr&aacute;tica e materiais sensoriais, esqueceu e n&atilde;o esqueceu tapetes atr&aacute;s de si, e terminou o dia em paz, brincando na &aacute;rea aberta da escola.<br />&nbsp;<br />Em paralelo, ela tamb&eacute;m chegou. Olhos ainda maiores, a boca fazendo um bico que n&atilde;o passou quase a manh&atilde; toda (s&oacute; num momento breve, quando acho que quase sorriu, depois de ficar muito tempo com uma jarra e tr&ecirc;s copos com &aacute;gua). Pensando em retrospecto, era quase um medo naquele rostinho redondo. Ela entrou (e eu sabia uma coisa s&oacute; sobre ela: corria e pegava trabalhos dos outros. N&atilde;o me preparei para nenhuma das duas coisas, de prop&oacute;sito) e tamb&eacute;m pegou sua etiqueta &ndash; depois de dois ou tr&ecirc;s lembretes. Sob sugest&atilde;o, escolheu um trabalho de Vida Pr&aacute;tica, ficou nele por quinze, vinte, perdi-a-conta de quantos minutos, e ent&atilde;o um copinho bem pequeno caiu e quebrou. N&atilde;o se mexeu muito. Continuou a atividade como se o copo estivesse l&aacute; ainda, molhando a mesa. Dei-lhe um copo descart&aacute;vel, recolhi o vidro, dei-lhe um pano, ficou mais dez ou doze minutos. Emendou com outra atividade de Vida Pr&aacute;tica. Precisou de uma brev&iacute;ssima interrup&ccedil;&atilde;o para n&atilde;o fazer pilhas com os copos sobre a jarra, continuou firme por minutos e minutos a fio. Relaxou. Conseguiu interagir com os colegas. Trabalhou-brinco-atrapalhou um pouco, foi interrompida, voltou a quase estragar um material, foi interrompida... e o material foi tirado da sala depois da terceira interrup&ccedil;&atilde;o. Nenhuma revolta. Nenhuma ang&uacute;stia. Procurou mais que fazer, e fez. E at&eacute; o finalzinho do dia fez. E a&iacute;, nos &uacute;ltimos quarenta minutos, ficar sem ar livre estava demais para ela, e ela j&aacute; brincava de apertar &ldquo;bot&otilde;es de telefone&rdquo; pela sala, fazendo sons com os l&aacute;bios, de novo em bico. No parque descansou, na cama el&aacute;stica, enquanto outras crian&ccedil;as pulavam e ela s&oacute; sentia seu corpo. Foi para casa em paz.<br />&nbsp;<br />Depois do fim do dia, todas as crian&ccedil;as devolvidas &agrave;s suas fam&iacute;lias, conversei com os mais de quinze professores que assistiram a tudo isso sentados em volta da sala. A professora da garota disse que ela trabalha focada mesmo, quando escolhe um material. Mas que nunca a tinha visto passar um dia assim tranquila. Nunca a tinha visto n&atilde;o interromper um colega, n&atilde;o brigar por aten&ccedil;&atilde;o ou objetos. Atender t&atilde;o prontamente a orienta&ccedil;&otilde;es &ndash; o que eu confesso, n&atilde;o me pareceu tanta prontid&atilde;o assim. Em resumo, ela nunca estivera t&atilde;o bem na sala. De resto, essa garota conquistara a quase-desist&ecirc;ncia de seus professores. Corria pela escola dia ap&oacute;s dia, brigava, resistia a quase tudo, recusava-se a seguir qualquer sugest&atilde;o.<br />&nbsp;<br />Mas eu fui muito mais surpreendido pela hist&oacute;ria do garotinho. Ele, que foi tranquilo quase a manh&atilde; toda, que seguiu quase todas as orienta&ccedil;&otilde;es como se a vontade fosse sua, e n&atilde;o minha, que trabalhou com sossego e descansou pintando e desenhando em paz... Ele batia diariamente em seus colegas, mordia sistematicamente, e era alvo de aten&ccedil;&atilde;o constante e desafios constantes na escola.<br />&nbsp;<br />O garoto n&atilde;o bateu, n&atilde;o quis bater, n&atilde;o chegou perto de bater uma s&oacute; vez. Ele era paz e desamparo. Com mais alguns dias, encontraria em Montessori o o&aacute;sis que toda crian&ccedil;a merece ter na vida. E a garota ... bom, ela encontrou no primeiro dia mesmo. Sua resposta, ao n&atilde;o sair da sala correndo nenhuma vez, por uma porta de acesso constantemente livre a todas as crian&ccedil;as, e sua resposta ao sair <em>e retornar</em> &agrave; sala, comunicaram o suficiente. E das duas horas e meia em que permaneceu em sala, por duas horas permaneceu em tranquilidade quase total, precisando da mesma presen&ccedil;a adulta que muitas crian&ccedil;as precisam no in&iacute;cio, e n&atilde;o mais.<br />&nbsp;<br />Que ser&aacute; que ser&aacute;? O que Montessori tem de tanto que em minutos, que ao entrar na sala, a crian&ccedil;a descobre a paz? Que &eacute; que uma sala complemente montessoriana, com adultos e materiais, tem de t&atilde;o &oacute;bvio ao esp&iacute;rito que uma crian&ccedil;a em desespero e agress&atilde;o descobre que ali a paz &eacute; poss&iacute;vel e desej&aacute;vel? Que &eacute; que essa sala tem que sustenta, por tr&ecirc;s horas e muito trabalho, um outro garoto de quem n&atilde;o falei, e que n&atilde;o fica em paz por trinta minutos normalmente?<br />&nbsp;<br />Eu n&atilde;o sei por onde come&ccedil;ar, mas entendo quem diz que h&aacute; qualquer coisa de milagre. N&atilde;o h&aacute;. Mas parece mesmo. E essas tr&ecirc;s horas foram revolucion&aacute;rias. N&atilde;o porque eu n&atilde;o conhecesse Montessori ou as transforma&ccedil;&otilde;es que Montessori faz. Mas porque dessa vez eu n&atilde;o sabia quem mais precisava delas, e propositadamente n&atilde;o quis saber. O que fizemos, pelas tr&ecirc;s horas daquele s&aacute;bado de outono, foi s&oacute; Montessori, sem tirar ou por &ndash; pondo, na verdade, as falhas humanas que nos cabem &ndash; e assistir ao, direi, milagre que se anunciava a cada novo minuto.<br />&nbsp;<br />Para terminar, quero fazer um pedido a voc&ecirc;, ao cora&ccedil;&atilde;o do teu peito que anseia por um mundo melhor: n&atilde;o tire nada, n&atilde;o ponha nada. N&atilde;o crie nada. N&atilde;o mude quase nada at&eacute; ter muita certeza de sua mudan&ccedil;a. Repita. Repita o que h&aacute; mais de um s&eacute;culo estamos repetindo, e uma a uma, a mente, a paz e, por que &eacute; que n&atilde;o digo?, a alma de cada crian&ccedil;a encontrar&aacute; o o&aacute;sis de onde beber a vida.<br />&nbsp;<br />___<br />&nbsp;<br />Nota: Eu sei que n&atilde;o &eacute; assim todos os dias, com todas as crian&ccedil;as e todos os professores. A ideia desse texto n&atilde;o &eacute; fazer voc&ecirc; se sentir muito mal porque hoje seu dia n&atilde;o foi assim. Eu j&aacute; tive dias de sair da sala &ndash; de ir at&eacute; a janela porque n&atilde;o podia sair da sala &ndash; e chorar. Atravessar esses dias foi e &eacute; essencial para minha transforma&ccedil;&atilde;o. O pedido continua: vamos repetir, dia a dia, o que se faz a mais de um s&eacute;culo. E &eacute; assim, uma a uma, que ajudaremos nossas crian&ccedil;as a encontrarem a vida.<br />Clique aqui para editar.</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Revitalizar a Prática Montessoriana]]></title><link><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/revitalizar-a-pratica-montessoriana]]></link><comments><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/revitalizar-a-pratica-montessoriana#comments]]></comments><pubDate>Tue, 20 Jun 2017 18:09:19 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.metodomontessori.com.br/blog/revitalizar-a-pratica-montessoriana</guid><description><![CDATA[H&aacute; alguns meses o blog do CEMSP publicou um texto sobre as vantagens de escolas que utilizavam Montessori de forma estrita, aderindo &agrave;s ideias e pr&aacute;ticas sugeridas por Maria Montessori, e as desvantagens das escolas que fazem concess&otilde;es a pr&aacute;ticas n&atilde;o-montessorianas, e que acabam por desenvolver um trabalho de qualidade inferior.Muito frequentemente, o que ocorre em escolas montessorianas &eacute; que a(o) fundadora(-) ou a primeira dire&ccedil;&atilde;o [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:justify;">H&aacute; alguns meses o blog do CEMSP publicou<a href="http://www.metodomontessori.com.br/blog/montessori-o-que-faz-diferenca" target="_blank"> um texto sobre</a> as vantagens de escolas que utilizavam Montessori de forma estrita, aderindo &agrave;s ideias e pr&aacute;ticas sugeridas por Maria Montessori, e as desvantagens das escolas que fazem concess&otilde;es a pr&aacute;ticas n&atilde;o-montessorianas, e que acabam por desenvolver um trabalho de qualidade inferior.<br /><br />Muito frequentemente, o que ocorre em escolas montessorianas &eacute; que a(o) fundadora(-) ou a primeira dire&ccedil;&atilde;o da escola era um estudioso de Montessori, um professor formado ou algu&eacute;m profundamente encantado pela crian&ccedil;a. Posteriormente, a escola passa a ser administrada por educadores por vezes muito bons, ou por administradores tamb&eacute;m bons, mas que n&atilde;o t&ecirc;m o mesmo encanto, ou n&atilde;o enxergam a educa&ccedil;&atilde;o da mesma maneira.<br /><br />A escola se mant&eacute;m &ldquo;montessoriana&rdquo;, porque n&atilde;o pode se chamar de nenhuma outra coisa, mas gradativamente abandona a liberdade, a escolha, a independ&ecirc;ncia, e incorpora o uso de papel, apostilas, livros did&aacute;ticos, atividades em grupo constantes e aulas extra no meio do dia. Pouco a pouco, a escola que se chama e se acredita montessoriana n&atilde;o ajuda as vidas das crian&ccedil;as mais do que uma escola tradicional razo&aacute;vel. Mas, l&aacute; dentro, em algum lugar, algu&eacute;m sabe que deveria ser diferente.<br /><br />N&atilde;o existe um caminho s&oacute; para revitalizar a pr&aacute;tica montessoriana de uma escola. O que sugiro abaixo deriva de minha experi&ecirc;ncia profissional com v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es e educadores, mas h&aacute; caminhos os mais diversos. Tamb&eacute;m, o que sugiro aqui &eacute; um passo-a-passo que tem como primeiro objetivo ajudar voc&ecirc; ou sua escola a acreditarem de novo em Montessori e na crian&ccedil;a, para depois tomarem atitudes mais ousadas. Vamos l&aacute;?<strong><br /><br />1. Respire, sorria e v&aacute; devagar.</strong> Recebi esse conselho num blog de produtividade que citava um monge vietnamita. Depois de anos, li a mesma ideia em Creative Development in the Child, de Montessori. Hoje, estou convencido de que esta &eacute; a primeira mudan&ccedil;a, a mais pr&aacute;tica e a de maior impacto na sala. Treine respirar enquanto voc&ecirc; caminha, treine caminhar no ritmo da respira&ccedil;&atilde;o, e treine sentir alegria. Isso nos ajuda a enxergar pequenos milagres, que ocorrem mesmo em salas menos estruturadas, e ver os pequenos milagres nos d&aacute; energia e serenidade para perseguir nossos ideiais. Quando o adulto respira, sorri e vai devagar, a crian&ccedil;a se tranquiliza e tamb&eacute;m consegue se sentir mais serena, alegre e disposta a trabalhar. Veja a cita&ccedil;&atilde;o de Montessori:<br /><em><br />Em lugar de executar as a&ccedil;&otilde;es naturais de todos os dias, sem pensar, ou de maneira imperfeita, acreditamos que faz&ecirc;-las de forma atenta, consciente, cuidadosa e t&atilde;o perfeita quanto poss&iacute;vel, &eacute; o primeiro passo para alcan&ccedil;armos a perfei&ccedil;&atilde;o. Esse &eacute; um dos caminhos, existem muitos. Devemos fazer as coisas porque devemos faz&ecirc;-las, e devemos fazemos como elas vierem. Devemos usar tudo, para que aperfei&ccedil;oemos tudo. Se tornar mais consciente, esse &eacute; o caminho da perfei&ccedil;&atilde;o; quanto mais ideias, quanto mais a&ccedil;&otilde;es executamos, mais vamos dominando, mais perfeitos nos tornamos. Essa &eacute; a orienta&ccedil;&atilde;o no sentido da perfei&ccedil;&atilde;o. [&hellip;] O caminho da perfei&ccedil;&atilde;o &eacute; aquele no qual todas as a&ccedil;&otilde;es que executamos em nossas vidas, n&oacute;s pensamos, e executamos como um meio de chegar &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o. <strong>&ndash; Maria Montessori, Creative Development in the Child</strong></em><br /><br />Conforme voc&ecirc; faz as coisas mais devagar na sala, aproveite para observar as crian&ccedil;as. Caminhe sempre com um bloquinho de anota&ccedil;&otilde;es no bolso, e um par de canetas. Assim, a qualquer momento, voc&ecirc; pode escrever aquilo que lhe parecer importante. Como treino, tire quinze minutos por dia, por professor, para observar as crian&ccedil;as sem interferir em suas a&ccedil;&otilde;es, para passar a conhec&ecirc;-las melhor. Procure fazer anota&ccedil;&otilde;es bastante objetivas, que incluam aquilo que aconteceu, mais do que a sua opini&atilde;o sobre o assunto.<strong><br /><br />2. Trabalhe o layout da sala.</strong> A sala montessoriana tem um layout bem vari&aacute;vel, mas bem espec&iacute;fico tamb&eacute;m. Em muitas escolas, &eacute; comum que as estantes fiquem em volta da sala, e no meio fiquem mesas e a Linha, com espa&ccedil;o livre para os tapetes. O layout mais adequado &eacute; um pouco diferente. Na sala montessoriana, deve haver nichos para materiais Sensoriais, de Linguagem, de Aritm&eacute;tica, de Vida Pr&aacute;tica, Ci&ecirc;ncias, Hist&oacute;ria e Geografia. O layout aberto e comum n&atilde;o inviabiliza Montessori, de fato, escolas boas o utilizam, inclusive. Mas modifica-lo pode ajudar bastante. Nele, pode haver mais eco, um caminhar muito mais veloz por parte das crian&ccedil;as, um aglutinamento mais frequente e, portanto, uma dificuldade maior na individualiza&ccedil;&atilde;o do trabalho. Se as crian&ccedil;as j&aacute; encontraram seu equil&iacute;brio interior natural, isso &eacute; menos importante. Mas se a escola precisa retornar a Montessori e ajudar as crian&ccedil;as, isso importa.<strong><br /><br />3. Recupere a Vida Pr&aacute;tica.</strong> Marion Wallis, diretora do CEMSP, escreveu um &oacute;timo texto sobre Vida Pr&aacute;tica <a href="http://www.metodomontessori.com.br/blog/o-currculo-da-vida-prtica">aqui</a>. Pensando a partir dele, &eacute; f&aacute;cil entender porque a Vida Pr&aacute;tica &eacute; fundamental para a revitaliza&ccedil;&atilde;o de uma sala ou escola. Voc&ecirc; n&atilde;o deve incluir a Vida Pr&aacute;tica toda de uma vez, se ela se perdeu, mas algumas coisas s&atilde;o importantes: (1) os exerc&iacute;cios precisam ser bonitos e os objetos precisam ser de tamanhos adequados &agrave;s m&atilde;os das crian&ccedil;as; (2) precisa haver alguns exerc&iacute;cios com &aacute;gua; (3) deve haver demonstra&ccedil;&otilde;es de cada atividade para a crian&ccedil;a conforme ela progride; (4) precisa haver Vida Pr&aacute;tica <em>dentro</em> da sala, e n&atilde;o s&oacute; em uma &aacute;rea espec&iacute;fica da escola.<strong><br /><br />4. Recupere a Livre Escolha devagar.</strong> Talvez hoje sua escola trabalhe frequentemente com atividades coletivas, rodas, projetos coordenados pela professora e coisas assim. Mudar isso n&atilde;o acontece da noite para o dia. Inclua pequenas op&ccedil;&otilde;es no come&ccedil;o (usar papel verde ou azul; fazer primeiro isto ou primeiro aquilo; cortar c&iacute;rculos ou quadrados...) e observe como o bem-estar das crian&ccedil;as melhora. Depois, inclua per&iacute;odos (20, 30, 40 minutos) de livre escolha no dia, em que as crian&ccedil;as podem fazer qualquer das atividades dispostas nas estantes. Veja como isso, aliado aos tr&ecirc;s passos anteriores, aumenta a tranquilidade e o foco dos alunos.<strong><br /><br />5. Viva a Natureza!</strong> A natureza &eacute; parte integrante do curr&iacute;culo montessoriano, e &eacute; fundamental para o desenvolvimento da crian&ccedil;a que isso seja levado muito a s&eacute;rio. Voc&ecirc; pode ver <a href="https://criancaenatureza.org.br/nossas-acoes/i-seminario-crianca-e-natureza/">aqui</a> os v&iacute;deos de um semin&aacute;rio sobre Inf&acirc;ncia e Natureza realizado ano passado pelo Instituto Alana, e <a href="https://criancaenatureza.org.br/nossas-acoes/ii-seminario-crianca-e-natureza-desemparedar-infancia/">aqui</a> voc&ecirc; pode se inscrever para o deste ano. Coloca plantas na sala. Muitas plantas. E coloque plantas na &aacute;rea externa, nos corredores, no parque, em todos os lugares onde couber plantas. Se voc&ecirc; puder encontrar espa&ccedil;o para um aqu&aacute;rio minimamente confort&aacute;vel, tamb&eacute;m coloque peixes na sala. Voc&ecirc; ver&aacute; que essas pequenas modifica&ccedil;&otilde;es aumentam a capacidade de observa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, sua compaix&atilde;o e sua colabora&ccedil;&atilde;o.<strong><br /><br />6. Forma&ccedil;&atilde;o dos Professores e Administradores.</strong> Desde o come&ccedil;o, &eacute; importante que a equipe da escola, pedag&oacute;gica e administrativa, seja formada em Montessori. A forma&ccedil;&atilde;o do professor &eacute; da maior import&acirc;ncia para o bom funcionamento da escola e para que as vidas das crian&ccedil;as sejam genuinamente auxiliadas pelos adultos da institui&ccedil;&atilde;o. A forma&ccedil;&atilde;o pode acontecer desde o in&iacute;cio do processo, mas, se voc&ecirc; n&atilde;o est&aacute; convencida(o) ou se precisa convencer sua equipe, passe pelos cinco primeiros passos primeiro. A forma&ccedil;&atilde;o do CEMSP recome&ccedil;a, a partir do primeiro m&oacute;dulo, em janeiro de 2018. Se eu estivesse no seu lugar, deixaria a p&aacute;gina do CEMSP como p&aacute;gina inicial do seu navegador para ficar atento ao per&iacute;odo de inscri&ccedil;&otilde;es e formar-me ou formar minha equipe.<strong><br /><br />7. Estruture um grupo de estudos na institui&ccedil;&atilde;o.</strong> Quando alguns profissionais da escola tiverem um pouco mais de conhecimento de Montessori &ndash; ou porque s&atilde;o formados, ou porque j&aacute; estudam h&aacute; mais tempo &ndash; ou mesmo quando a escola sentir que h&aacute; disposi&ccedil;&atilde;o coletiva, &eacute; muito importante criar um grupo de estudos de Montessori. Nesse grupo, principalmente duas coisas devem acontecer: voc&ecirc;s devem ler os livros de Montessori e textos sobre Montessori, podem tamb&eacute;m assistir a v&iacute;deos, e devem ligar aquilo que aprendem na teoria com as observa&ccedil;&otilde;es que desenvolvem sobre as crian&ccedil;as.<br /><br />O blog do CEMSP traz bons textos. Em portugu&ecirc;s, voc&ecirc; pode usar tamb&eacute;m a <a href="http://www.escolamaria.org/">Escola Maria</a> e o <a href="http://www.larmontessori.com/">Lar Montessori</a>, tamb&eacute;m no <a href="http://www.youtube.com/larmontessori">YouTube</a>. Se voc&ecirc; est&aacute; come&ccedil;ando uma escola, ou planeja come&ccedil;ar, <a href="https://larmontessori.com/para-educadores/criar-escola/">esse manual</a> tamb&eacute;m &eacute; &uacute;til. Em ingl&ecirc;s, h&aacute; muitos outros locais para estudar. O <a href="http://www.montessoriguide.org/">Montessori Guide</a> &eacute; meu favorito, mas vale a pena explorar as p&aacute;ginas da <a href="https://amshq.org/">American Montessori Society</a>, da <a href="https://ami-global.org/">Association Montessori Internationale</a> (incluindo o <a href="https://montessoridigital.org/">AMI Digital</a>) e do <a href="https://www.public-montessori.org/">National Center for Montessori Education in the Public Sector</a>. Para estudar materiais, gosto do <a href="http://www.infomontessori.com/">Info Montessori</a> e o <a href="http://montessoricommons.cc/">Montessori Commons</a>.<strong><br /><br />8. Convide profissionais a qualquer momento.</strong> Uma pr&aacute;tica muito valiosa &eacute; convidar profissionais de dentro e de fora da escola para observarem e opinarem sobre sua pr&aacute;tica. Se um professor puder observar outro e oferecer suas percep&ccedil;&otilde;es e sugest&otilde;es, a sala ganha com isso. Se um colega puder ir &agrave; escola para observar e conversar com a equipe ou a dire&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m h&aacute; chances grandes de a escola ganhar pontos de vista valiosos sobre a pr&aacute;tica. Isso &eacute; uma das vantagens do est&aacute;gio exigido durante cursos de forma&ccedil;&atilde;o em Montessori pelos centros de forma&ccedil;&atilde;o mais s&eacute;rios e exigentes, mas voc&ecirc; n&atilde;o precisa parar no est&aacute;gio. Pode continuar com o exerc&iacute;cio ao longo de sua atividade.<br /><br />Uma das transforma&ccedil;&otilde;es mais belas que h&aacute; &eacute; aquela de uma escola que acreditava fazer Montessori em uma que efetivamente <em>faz</em> Montessori. Muda tudo. O humor da equipe se altera, sua disposi&ccedil;&atilde;o para um bom trabalho aumenta, a satisfa&ccedil;&atilde;o dos profissionais e sua reten&ccedil;&atilde;o na escola muda, e as fam&iacute;lias percebem a transforma&ccedil;&atilde;o em suas crian&ccedil;as. As crian&ccedil;as s&atilde;o as maiores beneficiadas, &eacute; claro. Seus olhos ganham brilho, sua atitude diante de desafios se transforma, elas se descobrem pac&iacute;ficas e felizes. Por isso, seu desempenho acad&ecirc;mico melhora tamb&eacute;m.<br /><br />O que ocorre quando a escola <em>n&atilde;o confia</em> na crian&ccedil;a e em Montessori, &eacute; que passa a usar s&oacute; peda&ccedil;os de Montessori com as crian&ccedil;as, e preenche parte do dia com outras pedagogias e outras iniciativas. Quando isso acontece, o potencial da escola, da pedagogia e das crian&ccedil;as &eacute; afetado, e a&iacute; realmente as coisas d&atilde;o menos certo, e a escola acredita que isso ocorre porque <strong>Montessori n&atilde;o &eacute; suficiente</strong>. Ent&atilde;o, aumenta ainda mais os &ldquo;adicionais&rdquo; como aulas extracurriculares, um uso cada vez maior de papel e de atividades coletivas, tamb&eacute;m colocando muitos brinquedos e materiais n&atilde;o-montessorianos na sala. &Eacute; um ciclo vicioso.<br /><br />Quando a escola retorna a Montessori, e recupera sua confian&ccedil;a na crian&ccedil;a, chamo o processo de <strong>revitaliza&ccedil;&atilde;o</strong>, porque &eacute; a vida que retorna. Aos poucos, os adicionais podem ser abandonados, e vemos as crian&ccedil;as cada vez melhores consigo e com o mundo, e nossa confian&ccedil;a nelas e em Montessori aumenta, encorajando-nos a abra&ccedil;ar Montessori como a &uacute;nica pedagogia da escola, e confiar nas crian&ccedil;as como as &uacute;nicas capazes de nos mostrar o verdadeiro caminho da educa&ccedil;&atilde;o.</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Montessori - O Que Faz Diferença]]></title><link><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/montessori-o-que-faz-diferenca]]></link><comments><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/montessori-o-que-faz-diferenca#comments]]></comments><pubDate>Wed, 08 Feb 2017 22:42:25 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.metodomontessori.com.br/blog/montessori-o-que-faz-diferenca</guid><description><![CDATA[Em 2006 um artigo publicado na revista Science abriu sorrisos em toda a comunidade montessoriana. Angeline Lillard, professora da Universidade de Virg&iacute;nia, parecia provar que Montessori era mesmo melhor do que as outras abordagens de educa&ccedil;&atilde;o. Os resultados que davam suporte a Montessori iam desde o aprendizado de leitura e matem&aacute;tica, at&eacute; as rela&ccedil;&otilde;es entre as crian&ccedil;as. N&oacute;s ficamos profundamente satisfeitos. T&atilde;o satisfeitos, d [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:justify;">Em 2006<a href="http://www.public-montessori.org/sites/default/files/resources/Lillard_science_article_9_29_2006.pdf" target="_blank"> um artigo publicado na revista Science</a> abriu sorrisos em toda a comunidade montessoriana. Angeline Lillard, professora da Universidade de Virg&iacute;nia, parecia provar que Montessori era mesmo melhor do que as outras abordagens de educa&ccedil;&atilde;o. Os resultados que davam suporte a Montessori iam desde o aprendizado de leitura e matem&aacute;tica, at&eacute; as rela&ccedil;&otilde;es entre as crian&ccedil;as. N&oacute;s ficamos profundamente satisfeitos. T&atilde;o satisfeitos, de fato, que por vezes deixamos passar em branco o final do artigo original, em que a autora nos diz:</div>  <div class="paragraph" style="text-align:center;"><em>&ldquo;Seria &uacute;til replicar essas pesquisas em diferentes escolas montessorianas, que variam muito. As escolas envolvidas aqui eram afiliadas &agrave; Associa&ccedil;&atilde;o Montessori Internacional, que tem uma aplica&ccedil;&atilde;o [de Montessori] relativamente rigorosa. [...] Ao menos quando estritamente implementada, a educa&ccedil;&atilde;o montessoriana nutre o desenvolvimento de habilidades sociais e acad&ecirc;micas iguais ou superiores aos de uma s&eacute;rie de outras escolas&rdquo;.</em><br /></div>  <div class="paragraph">O coment&aacute;rio final de Lillard &eacute; de import&acirc;ncia total. O rigor cient&iacute;fico da autora, compar&aacute;vel ao de Montessori ela mesma, exige dizer que os resultados excelentes encontrados referem-se a um tipo espec&iacute;fico de uso de Montessori, relacionado &agrave; fidelidade das escolas &agrave;s propostas originais de Montessori. Ocorre que, ao longo de anos, depois, Lillard retornou aos estudos sobre Montessori, e encontrou pelo menos o que faz variar a fidelidade &agrave;s ideias de Montessori na pr&aacute;tica das escolas.<br /><br />Em um primeiro artigo (de 2012), Lillard prop&otilde;e quatro caracter&iacute;sticas como determinantes de um programa de aplica&ccedil;&atilde;o de Montessori com alta fidelidade:<br /><br /><ol><li>Per&iacute;odos de tr&ecirc;s horas de trabalho;</li><li>Agrupamentos de tr&ecirc;s idades;</li><li>Um profissional formado em Montessori por sala;</li><li>Um conjunto espec&iacute;fico de materiais montessorianos.</li></ol><br />Quanto &agrave;s adapta&ccedil;&otilde;es que determinam a fidelidade mais baixa &agrave; proposta original de Montessori, Lillard prop&otilde;e cinco itens:<br /><br /><ol><li>Materiais e brinquedos suplementares em sala;</li><li>Per&iacute;odos de trabalho mais curtos;</li><li>Aulas especiais (extracurriculares) e professores adicionais para elas;</li><li>Notas;</li><li>Li&ccedil;&atilde;o de casa.</li></ol><br />A autora nos explica que diversos estudos, com resultados diferentes, j&aacute; foram feitos envolvendo Montessori. Alguns com bons resultados para n&oacute;s, outros nem tanto. Longamente, exp&otilde;e os estudos com bons e maus resultados, e nota que todos aqueles com bons resultados foram feitos em escolas que seguiam os primeiros quatro determinantes de alta fidelidade, enquanto que os resultados menos positivos foram encontrados com escolas que utilizavam pelo menos um dos determinantes de baixa fidelidade.<br /><br /><strong><a href="http://www.faculty.virginia.edu/ASLillard/PDFs/Lillard%20(2012).pdf" target="_blank">Em seguida, exp&otilde;e seu estudo atual: uma compara&ccedil;&atilde;o do desempenho de crian&ccedil;as em dois grupos de escolas montessorianas.</a></strong><br /><br />No primeiro grupo, utilizava-se somente o material montessoriano, havia um ciclo de trabalho de tr&ecirc;s horas todos os dias, e um adulto na sala era claramente o professor, respons&aacute;vel pela maior parte das intera&ccedil;&otilde;es com as crian&ccedil;as, enquanto o outro adulto cumpria muito mais frequentemente o papel de observador.<br /><br />No segundo grupo, utilizava-se material e brinquedo suplementar (como Lego, quabra-cabe&ccedil;as, livros de exerc&iacute;cios, projetos de artesanato e jogos da mem&oacute;ria), o ciclo de trabalho era quebrado algumas vezes por semana por aulas extracurriculares, e um segundo adulto interagia com as crian&ccedil;as com tanta frequ&ecirc;ncia quanto o primeiro.<br /><br />O estudo tamb&eacute;m prop&otilde;e uma compara&ccedil;&atilde;o com escolas tradicionais de alta qualidade (a descri&ccedil;&atilde;o das escolas tradicionais pode ser lida no &nbsp;artigo original).<br /><br />Algumas vari&aacute;veis entre as escolas foram testadas e n&atilde;o se encontrou diferen&ccedil;as significativas de desempenho entre os alunos. Essas vari&aacute;veis foram desde anos de experi&ecirc;ncia dos professores at&eacute; o tipo de certifica&ccedil;&atilde;o (AMI/AMS) dos professores montessorianos. Outras vari&aacute;veis foram consideradas importantes, como escolariza&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias, por exemplo. Tudo levado em conta, os resultados foram:<br /><br /><strong>Identifica&ccedil;&atilde;o Letra-Palavra</strong>: Os alunos das escolas de maior fidelidade a Montessori avan&ccedil;aram 11,28 pontos ao longo de um ano. Os das escolas de menor fidelidade, 5,61 pontos. Os das escolas tradicionais, 5,90 pontos. A diferen&ccedil;a significativa &eacute; entre as escolas Montessori de maior fidelidade e ambos os outros programas.<br /><br /><strong>Vocabul&aacute;rio com Figuras</strong>: Os alunos das escolas de maior fidelidade a Montessori avan&ccedil;aram 2,92 pontos ao longo de um ano. Os das escolas de menor fidelidade, 0,95 pontos. Os das escolas tradicionais, 1,08 pontos. A diferen&ccedil;a significativa &eacute; entre a escola Montessori de maior fidelidade e a de menor. A diferen&ccedil;a entre o programa Montessori de maior fidelidade e o tradicional, aqui, &eacute; interpretada como pequena demais para ser considerada.<br /><br /><strong>Problemas</strong>: Os alunos das escolas de maior fidelidade a Montessori avan&ccedil;aram 4,58 pontos ao longo de um ano. Os das escolas de menor fidelidade, 3,09 pontos. Os das escolas tradicionais, 3,53 pontos. A diferen&ccedil;a significativa &eacute; entre a escola Montessori de maior fidelidade e a de menor. A diferen&ccedil;a entre o programa Montessori de maior fidelidade e o tradicional, aqui, &eacute; interpretada como pequena demais para ser considerada.<br /><br /><strong>Seguir ordens confusas</strong>: Os alunos das escolas de maior fidelidade a Montessori avan&ccedil;aram 13,72 pontos ao longo de um ano. Os das escolas de menor fidelidade, 7,34 pontos. Os das escolas tradicionais, 7,85 pontos. A diferen&ccedil;a significativa &eacute; entre as escolas Montessori de maior fidelidade e ambos os outros programas.<br /><br /><strong>Resolu&ccedil;&atilde;o de problemas de intera&ccedil;&atilde;o social</strong>: Os alunos das escolas de maior fidelidade a Montessori avan&ccedil;aram 0,33 ponto ao longo de um ano. Os das escolas de menor fidelidade n&atilde;o mudaram. Os das escolas tradicionais tiveram uma diminui&ccedil;&atilde;o de -0,07 ponto A diferen&ccedil;a significativa &eacute; entre a escola Montessori de maior fidelidade e o programa tradicional. A diferen&ccedil;a entre o programa Montessori de maior fidelidade e o de menor, aqui, &eacute; interpretada como pequena demais para ser considerada.<br /><br /><strong>Teorias da mente</strong>: Os alunos das escolas de maior fidelidade a Montessori avan&ccedil;aram 0,39 ponto ao longo de um ano. Os adas escolas de menor fidelidade, 0,26 ponto. Os das escolas tradicionais, 0,12 ponto. Nenhuma dessas diferen&ccedil;as &eacute; significativa.<br />&#8203;<br />Fica evidente pelos resultados que as escolas montessorianas de maior fidelidade ao m&eacute;todo estabelecido por Maria Montessori oferecem ganhos superiores &agrave;s crian&ccedil;as. Sobre a fidelidade e a adapta&ccedil;&atilde;o, Lillard escreve:</div>  <div class="paragraph" style="text-align:center;"><em>&ldquo;Precisamente a adapta&ccedil;&atilde;o de Montessori nos Estados Unidos [onde o estudo foi conduzido] , incluindo sua abertura para a presen&ccedil;a de materiais suplementares, pode ser a chave para sua perman&ecirc;ncia. [...] &Eacute; ir&ocirc;nico que o pr&oacute;prio elemento que pode aumentar a sobreviv&ecirc;ncia de um programa possa tamb&eacute;m reduzir sua efic&aacute;cia, <strong>embora seja importante notar que os programas montessorianos suplementados </strong>[os de menor fidelidade] <strong>ficaram em geral equiparados a programas tradicionais de alta qualidade estudados aqui</strong>&rdquo; (grifo nosso).</em><br /></div>  <div class="paragraph">O grifo em que insistimos na cita&ccedil;&atilde;o acima tem um prop&oacute;sito. Ele significa que mesmo uma escola montessoriana de menor fidelidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s ideias de Maria Montessori ainda tem chances de ser uma escola boa, num n&iacute;vel compar&aacute;vel ao de escolas tradicionais tamb&eacute;m boas. Infelizmente, entretanto, n&atilde;o &eacute; a mesma coisa, para o desenvolvimento infantil, propor uma escola montessoriana que fa&ccedil;a por aderir completamente &agrave;s ideias de Montessori, e propor uma que adapte elementos do m&eacute;todo. Na adapta&ccedil;&atilde;o, aparentemente, n&atilde;o se ganha muito (a n&atilde;o ser, &eacute; claro, a pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia do m&eacute;todo).<br />&#8203;<br />Mais uma vez, &eacute; importante retornarmos a Montessori, e retomarmos esfor&ccedil;os para a constru&ccedil;&atilde;o de uma escola que, sem adapta&ccedil;&otilde;es, traga para o presente aquilo que parece ser, at&eacute; aqui, o melhor programa educacional poss&iacute;vel, aderindo ao m&aacute;ximo &agrave;s ideias de Montessori. Vale notar que as escolas de maior fidelidade pesquisadas eram ligadas &agrave; Associa&ccedil;&atilde;o Montessori Internacional, mas os fatores determinantes enumerados por Lillard n&atilde;o foram retirados de cursos de forma&ccedil;&atilde;o ou de entrevistas com professores, mas de livros de Maria Montessori. O ponto de partida nos livros de Maria Montessori pode ser comum a qualquer escola e qualquer forma&ccedil;&atilde;o &ndash; em centros especializados ou dentro da escola, entre equipes e coordena&ccedil;&otilde;es &ndash; e, partindo das ideias de Montessori, podemos ir muito longe. Temos um longo e possivelmente belo ano letivo pela frente. Vamos fazer dele um ano de ajudar a vida?</div>  <div class="paragraph">__________<br />Refer&ecirc;ncias:<br /><br />Artigo de 2006 - Evaluating Montessori Education (Angeline Lillard):<br />http://www.public-montessori.org/sites/default/files/resources/Lillard_science_article_9_29_2006.pdf<br /><br />Artigo de 2012 -&nbsp;Preschool children's development in classic Montessori, supplemented Montessori, and conventional programs ( Angeline Lillard):<br />&#8203;http://www.faculty.virginia.edu/ASLillard/PDFs/Lillard%20(2012).pdf<br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Guerra, Montessori e Paz]]></title><link><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/guerra-montessori-e-paz]]></link><comments><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/guerra-montessori-e-paz#comments]]></comments><pubDate>Wed, 21 Dec 2016 01:47:41 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.metodomontessori.com.br/blog/guerra-montessori-e-paz</guid><description><![CDATA[&ldquo;Leis e tratados n&atilde;o s&atilde;o suficientes;o que &eacute; preciso &eacute; um mundo novo,&#8203;cheio de milagres&rdquo; &ndash; Maria Montessori  &#8203;Estamos todos, em diferentes graus, acompanhando a trag&eacute;dia que se desenrola na S&iacute;ria, e nesse momento especialmente em Aleppo, onde milhares de crian&ccedil;as j&aacute; se encontram desabrigadas, sozinhas, no meio de um conflito do qual n&atilde;o podem sair ou ser retiradas.Aleppo j&aacute; foi a maior cidade da S [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:right;"><em><span>&ldquo;Leis e tratados n&atilde;o s&atilde;o suficientes;<br />o que &eacute; preciso &eacute; um mundo novo,<br />&#8203;cheio de milagres&rdquo; &ndash; Maria Montessori</span></em></div>  <div class="paragraph"><br />&#8203;Estamos todos, em diferentes graus, acompanhando a trag&eacute;dia que se desenrola na S&iacute;ria, e nesse momento especialmente em Aleppo, onde milhares de crian&ccedil;as j&aacute; se encontram desabrigadas, sozinhas, no meio de um conflito do qual n&atilde;o podem sair ou ser retiradas.<br /><br />Aleppo j&aacute; foi a maior cidade da S&iacute;ria, e era o centro financeiro e industrial do pa&iacute;s. Hoje, &eacute; uma cidade cheia de morte, ru&iacute;na e medo. Em toda a S&iacute;ria, quase meio milh&atilde;o de pessoas j&aacute; morreram e cerca de 5 milh&otilde;es deixaram o pa&iacute;s. <em>A ONU disse que s&atilde;o necess&aacute;rios US$ 3,2 bilh&otilde;es para prover ajuda humanit&aacute;ria a 13,5 milh&otilde;es de pessoas - incluindo seis milh&otilde;es de crian&ccedil;as - no pa&iacute;s. Al&eacute;m disso, 70% da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem acesso a &aacute;gua pot&aacute;vel, uma em cada tr&ecirc;s pessoas n&atilde;o consegue suprir as necessidades alimentares b&aacute;sicas, mais de 2 milh&otilde;es de crian&ccedil;as n&atilde;o v&atilde;o &agrave; escola e uma em cada cinco indiv&iacute;duos vive na pobreza. </em>(<a href="http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38269558">BBC</a>)<br /><br />3,2 bilh&otilde;es de d&oacute;lares. Parece bastante dinheiro. Mas &eacute; <strong>menos do que o gasto militar de um s&oacute; dia no mundo</strong>. Um dia de tr&eacute;gua poderia prover ajudar 13,5 milh&otilde;es de s&iacute;rios. Vale dizer que com oito dias, segundo a Nobel da Paz Malala Yousafzai, poder&iacute;amos prover escola gratuita para toda a popula&ccedil;&atilde;o infantil do planeta. Racionalmente, seria uma ideia genial passar uma semana em tr&eacute;gua no mundo todo, e resolver um dos maiores problemas da civiliza&ccedil;&atilde;o. Por que insistimos na guerra? Montessori tem uma resposta.<br /><br />Para ela, as diferentes guerras entre pa&iacute;ses, por dinheiro, ideologia, poder e territ&oacute;rio, tinham uma raiz em comum: a guerra entre o adulto e a crian&ccedil;a. Da mesma maneira que uma alimenta&ccedil;&atilde;o ruim ou uma m&aacute; higiene s&atilde;o origem de muitas doen&ccedil;as, a guerra entre adulto e a crian&ccedil;a &eacute; a origem de in&uacute;meros conflitos. Ela diz:<br /><br /><em>O que nos impressionou em particular foi a exist&ecirc;ncia de um conflito verdadeiro, de uma luta sem tr&eacute;gua, que espera o ser humano desde o seu nascimento e o acompanha por todo o seu crescimento &ndash; &eacute; o conflito entre o adulto e a crian&ccedil;a [...] O adulto e a crian&ccedil;a &ndash; ambos inconscientes de suas caracter&iacute;sticas &ndash; est&atilde;o envolvidos em uma guerra de eras [...] O adulto triunfa sobre a crian&ccedil;a de forma que, quando a crian&ccedil;a cresce, traz gravadas para sempre as marcas daquela famosa paz que sucede a guerra, feita, por um lado, de destrui&ccedil;&atilde;o, e por outro de uma adapta&ccedil;&atilde;o dolorosa. </em>(Montessori, Peace and Education, 1971)<br /><br />&Eacute; claro que nenhum adulto gostaria de entrar em guerra com as crian&ccedil;as e que, de novo, racionalmente a paz &eacute; muito melhor. O que origina esse conflito-raiz &eacute; a inconsci&ecirc;ncia de nossos potenciais e dos de nossos alunos e filhos. N&oacute;s somos diferentes em muitos aspectos, e um dos principais deles &eacute; o trabalho que temos a desenvolver.<br /><br /><strong>O adulto trabalha para produzir o mundo, e por isso tem objetivos externos a si mesmo, controla seu tempo por meios &ldquo;objetivos&rdquo;, como o rel&oacute;gio e o calend&aacute;rio, e precisa atingir n&iacute;veis de perfei&ccedil;&atilde;o ou de sucesso estabelecidos por consenso ou imposi&ccedil;&atilde;o social.</strong> Pense, por exemplo, em um trabalhador industrial cl&aacute;ssico, que deve fazer algumas centenas de parafusos por dia, e um n&uacute;mero menor e regular por hora, de forma que todos eles tenham exatamente o mesmo di&acirc;metro e funcionem da mesma forma. Ou considere um chef de cozinha, que por mais genial e criativo que possa ser, deve produzir um card&aacute;pio que agrade a seus clientes e cr&iacute;ticos, numa velocidade que n&atilde;o os deixe esperando por muito tempo, com uma qualidade regular o suficiente para inspirar confian&ccedil;a. Nos dois casos, h&aacute; tamb&eacute;m o ganho financeiro, exterior ao indiv&iacute;duo, e que importa imensamente.<br /><br />A crian&ccedil;a &eacute; o avesso disso tudo. <strong>Ela trabalha para produzir a si mesma, e seu &uacute;nico objetivo &eacute; satisfazer &agrave;s necessidades interiores de sua mente e corpo, por isso o tempo de suas a&ccedil;&otilde;es &eacute; controlado pelo &acirc;nimo, frustra&ccedil;&atilde;o, vontade, satisfa&ccedil;&atilde;o e cansa&ccedil;o. Os n&iacute;veis de perfei&ccedil;&atilde;o em geral cada vez mais altos de suas a&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m menos a ver com a necessidade de satisfazer o outro do que com o desejo de melhorar a si mesmo.</strong> &Eacute; assim que uma crian&ccedil;a pode passar vinte ou quarenta minutos concentrada em algo aparentemente in&oacute;cuo, como fazer um buraco em areia, mesmo enquanto ele &eacute; novamente preenchido pela areia que n&atilde;o cessa de cair, enchendo o buraco de novo. &Eacute; assim, tamb&eacute;m, que um aluno montessoriano pode se dedicar, repetidamente, a um mesmo esfor&ccedil;o, como pintar o interior de uma forma geom&eacute;trica ou encaixar corretamente os s&oacute;lidos do Cubo do Trin&ocirc;mio.<br /><br />O adulto tem a mesma dificuldade de compreender a crian&ccedil;a que a crian&ccedil;a tem de se adequar ao adulto. Mas a crian&ccedil;a <em>precisa</em> se manter no seu modo de produ&ccedil;&atilde;o de si mesma, enquanto que ao adulto cabe compreender as necessidades e potenciais dela, e proteg&ecirc;-los inclusive de si mesmo.<br /><br />A inconsci&ecirc;ncia dessa diferen&ccedil;a profunda entre adulto e crian&ccedil;a &eacute; uma &ndash; n&atilde;o a &uacute;nica &ndash; das causas importantes do conflito que assola todo o mundo e que gera todas as guerras da Terra. Proteger a realiza&ccedil;&atilde;o dos potenciais da crian&ccedil;a &eacute; proteger a capacidade de reden&ccedil;&atilde;o de toda a civiliza&ccedil;&atilde;o. Uma das formas mais belas e importantes de se fazer isso &eacute; ajudar a crian&ccedil;a a amar o mundo, entrar em contato com ele e <strong>trabalhar</strong>, de forma concentrada e profunda, para a constru&ccedil;&atilde;o de si mesma.<br /><br />A crian&ccedil;a, segundo Montessori, &eacute; a construtora da humanidade. Ela sempre &eacute; a construtora da humanidade. A humanidade que ela constr&oacute;i, entretanto, varia. Em condi&ccedil;&otilde;es adversas, constr&oacute;i mal. O resultado da forma&ccedil;&atilde;o interior da crian&ccedil;a, quando submetida a toda sorte de humilha&ccedil;&otilde;es, priva&ccedil;&otilde;es e opress&otilde;es &eacute; tortuoso, incerto, incapaz de conhecer a si mesmo. Quando, por outro lado, as condi&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento s&atilde;o adequadas, a crian&ccedil;a &eacute; capaz de milagres por si e pelo mundo.<br /><br />Outro ponto fundamental da constru&ccedil;&atilde;o da paz na inf&acirc;ncia &eacute; o respeito &agrave; import&acirc;ncia da mente absorvente. A mente da crian&ccedil;a de zero a seis anos &eacute; <strong>muito mais do que uma esponja</strong>. Ela n&atilde;o &eacute; s&oacute; capaz de sugar tudo aquilo que acontece &agrave; sua volta, aprender rapidamente e se desenvolver de forma r&aacute;pida e eficiente. N&atilde;o. Ela &eacute; capaz de transforma&ccedil;&atilde;o. E transforma-se conforme a natureza do ambiente que encontra. Os est&iacute;mulos que a mente recebe do mundo n&atilde;o <em>entram</em> nela, eles a <em>transformam</em> e passam a <em>fazer parte da personalidade da crian&ccedil;a</em>. Da&iacute;, a import&acirc;ncia total de uma escolha criteriosa daquilo que a mente de nossas crian&ccedil;as consumir&aacute;.<br /><br />Quando uma crian&ccedil;a presencia brigas constantes &ndash; entre pai e m&atilde;o, entre professor e aluno, entre aluno e aluno... &ndash; ela n&atilde;o <em>aprende a brigar</em>. Isso &eacute; pouco, e qualquer um faz. Ela se transforma em uma mente ansiosa, estressada e potencialmente violenta. Os resultados da presen&ccedil;a constante do estresse na vida de uma crian&ccedil;a s&atilde;o devastadores n&atilde;o porque ela aprenda a briga, aprenda a correria, aprenda a impessoalidade ou a estupidez. Mas porque ela se transforma nesse estresse, nessa ansiedade e nessa viol&ecirc;ncia, e a perpetra contra si mesma e contra o mundo exterior. S&oacute; se d&aacute; o que se &eacute;.<br /><br />Se enxergarmos a import&acirc;ncia de um novo mundo, precisamos de &ldquo;uma educa&ccedil;&atilde;o capaz de salvar a humanidade&rdquo; (Montessori definia assim sua pedagogia em <em>A Educa&ccedil;&atilde;o e a Paz</em>, ed. Papirus). N&atilde;o nos basta uma educa&ccedil;&atilde;o veloz, eficiente, universal. N&oacute;s precisamos universalizar a transforma&ccedil;&atilde;o da humanidade, e isso significa, por um lado, proteger e respeitar o <strong>trabalho</strong> da crian&ccedil;a, e por outro, proteger e respeitar a <strong>forma&ccedil;&atilde;o de sua personalidade</strong>. H&aacute;, &eacute; claro, outros aspectos importantes para uma rela&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica entre adultos e crian&ccedil;as. Aqui, enxergamos s&oacute; dois deles.<br /><br />Que por meio do profundo respeito, amor e rever&ecirc;ncia &agrave; inf&acirc;ncia, todos feitos de conhecimento, empenho e a&ccedil;&atilde;o verdadeira, n&oacute;s possamos n&atilde;o s&oacute; prevenir Aleppo, mas transformar a pr&oacute;pria forma como a vida e o mundo ser&atilde;o vistos pelos adultos de depois de amanh&atilde;. Que eles sejam capazes de ver o mundo anunciado por Montessori: <strong>novo, e cheio de milagres.</strong></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Da Importância de Não Corrigir a Criança]]></title><link><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/da-importancia-de-nao-corrigir-a-crianca]]></link><comments><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/da-importancia-de-nao-corrigir-a-crianca#comments]]></comments><pubDate>Mon, 11 Jul 2016 13:48:08 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.metodomontessori.com.br/blog/da-importancia-de-nao-corrigir-a-crianca</guid><description><![CDATA[Montessori escreveu:  Uma das dificuldades que encontramos em ensinar nosso m&eacute;todo aos que foramformados em outros sistemas &eacute; aquela de impedi-los de interferir na atividade de uma crian&ccedil;a que est&aacute;preocupada com um erro que cometeu e faz tentativas repetidas de corrigir-se. [...] De fato,enquanto a crian&ccedil;a est&aacute; instruindo a si mesma e o material que ela usa cont&eacute;m seu pr&oacute;prio controle de erro,&#8203;o professor n&atilde;o tem nada a fazer a [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:justify;">Montessori escreveu:</div>  <div class="paragraph" style="text-align:center;"><em><br />Uma das dificuldades que encontramos em ensinar nosso m&eacute;todo aos que foram<br />formados em outros sistemas &eacute; aquela de impedi-los de interferir na atividade de uma crian&ccedil;a que est&aacute;<br />preocupada com um erro que cometeu e faz tentativas repetidas de corrigir-se. [...] De fato,<br />enquanto a crian&ccedil;a est&aacute; instruindo a si mesma e o material que ela usa cont&eacute;m seu pr&oacute;prio controle de erro,<br />&#8203;o professor n&atilde;o tem nada a fazer a n&atilde;o ser observar. (The Discovery of the Child &ndash; The Technique of the Lessons)<br /></em><br /></div>  <div class="paragraph" style="text-align:justify;">O material montessoriano tem algumas caracter&iacute;sticas que ajudam no processo da <strong>autoeduca&ccedil;&atilde;o</strong>. Em primeiro lugar, s&atilde;o objetos feitos para serem manipulados pelas crian&ccedil;as. As dimens&otilde;es, o peso, a forma e as cores dos materiais foram escolhidos para chamar a aten&ccedil;&atilde;o dos pequenos para aspectos espec&iacute;ficos que os levam a aprender sozinhos pela manipula&ccedil;&atilde;o dos objetos. Em segundo lugar, os materiais trabalham uma s&oacute; caracter&iacute;stica ou dificuldade de cada vez &ndash; o peso, a cor, a dimens&atilde;o, ou qualquer outro aspecto importante, &eacute; trabalhando isoladamente do resto, e embora um mesmo material ajude a crian&ccedil;a a aprender muitas coisas, &eacute; s&oacute; uma coisa absolutamente nova que ela aprende com cada item, de forma mais pr&oacute;xima do consciente. Finalmente, em terceiro lugar os materiais cont&ecirc;m o controle do erro. Se quiser, voc&ecirc; pode ler mais sobre isso aqui. O controle do erro &eacute; uma caracter&iacute;stica do material ou da intera&ccedil;&atilde;o entre o material e a crian&ccedil;a que permite a ela prescindir da constante corre&ccedil;&atilde;o e dos constantes apontamentos do professor e trabalhar, por si mesma, sobre as dificuldades que encontra.<br /><br />&Eacute; neste cont&iacute;nuo trabalho de corre&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios erros e repeti&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios acertos que a crian&ccedil;a aprende sem que o professor ensine tudo, detalhe por detalhe. &Eacute; bem verdade, o professor apresenta o material. Mas depois, exclui-se da cena, retira-se, permite que a crian&ccedil;a encontre a si mesma na atividade que desenvolve. Enfrentar a pr&oacute;pria frustra&ccedil;&atilde;o &eacute; um importante exerc&iacute;cio para a forma&ccedil;&atilde;o da personalidade, enquanto que enfrentar a frustra&ccedil;&atilde;o imposta por um ser maior e mais competente que resolve tudo o que a crian&ccedil;a n&atilde;o sabe fazer &eacute; um exerc&iacute;cio que n&atilde;o leva a mais do que o crescimento da vergonha como componente formador da personalidade infantil.<br /><br />Em uma de suas obras, Montessori diz que quando o adulto faz pela crian&ccedil;a, tudo o que ela aprende &eacute; que o adulto sabe fazer. Ela n&atilde;o aprende, efetivamente, a fazer. Marion Wallis, do Centro de Educa&ccedil;&atilde;o Montessori de S&atilde;o Paulo, diz algo que Montessori formula de diversas maneiras em sua obra: <em>ensine ensinando</em>, <em>n&atilde;o corrigindo</em>. Quando uma crian&ccedil;a tem uma dificuldade e precisa aprender alguma coisa nova, cabe-nos ensinar. Encontrar o material certo, a atividade certa, a apresenta&ccedil;&atilde;o certa, o &acirc;ngulo certo da apresenta&ccedil;&atilde;o que enfoque a dificuldade encontrada pela crian&ccedil;a, e em sil&ecirc;ncio ensinar &ndash; ou falando baixo e educadamente, caso se trate de uma li&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;a e cortesia envolvendo intera&ccedil;&atilde;o entre pessoas. Mas nunca nos cabe corrigir o erro no trabalho da crian&ccedil;a.<br /><br />Para Montessori (<em>Mente Absorvente</em> &ndash; O Erro e Sua Corre&ccedil;&atilde;o) h&aacute; dois tipos de erro. Um &eacute; o erro do trabalho. A crian&ccedil;a faz pares de cores errados, escreve errado, faz contas erradas, despeja a &aacute;gua e deixa gotas ca&iacute;rem para fora da jarra, caminha na linha, mas erra os p&eacute;s, esbarra nas mesas da sala, faz barulho ao empurrar a cadeira. Outro erro &eacute; de atitude. A crian&ccedil;a empurra o colega, joga um cubo cor-de-rosa, grita em sala, propositadamente derruba sua comida, sobe em uma estante de materiais.<br /><br />No primeiro caso, nos erros de trabalho, n&oacute;s observamos at&eacute; o limite. At&eacute; o momento em que a crian&ccedil;a desiste e guarda o material ou desiste e permite que sua frusta&ccedil;&atilde;o transborde. Se ela guarda o material, n&atilde;o fazemos nada. Se ela chora, grita ou espalha o material no ch&atilde;o, ent&atilde;o nos aproximamos (com um pouco de observa&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel antecipar esse momento em alguns instantes e prevenir o mal feito ou a crise maior) e ajudamos a crian&ccedil;a a se controlar novamente, e a guardar o material, guiando-a para outra atividade, mais f&aacute;cil e que saibamos ser de seu gosto.<br /><br />No segundo caso, interferimos sempre. N&atilde;o deve haver nenhuma toler&acirc;ncia para a&ccedil;&otilde;es que sejam danosas para a pr&oacute;pria crian&ccedil;a, outros seres vivos ou o ambiente. Nesses casos, Montessori diz que devemos <em>sufocar e destruir</em> o erro. Isso, entretanto, &eacute; feito com o m&aacute;ximo de carinho e cuidado, embora com seriedade. Nunca, em nenhuma hip&oacute;tese, cabe-nos a agress&atilde;o contra a crian&ccedil;a, ainda que s&oacute; em um olhar. Interrompemos, sim, chamando, encostando se muito, segurando, se a extrema necessidade exigir, com cuidado e respeito. E ent&atilde;o, tendo interrompido a m&aacute; a&ccedil;&atilde;o, resolvemos o necess&aacute;rio (varrer algo quebrado ou derramado, consolando um colega, tratando de um conflito), convidamos a crian&ccedil;a para uma atividade em companhia do professor, ou para algo que, de novo, saibamos ser f&aacute;cil para ela e agrad&aacute;vel, para que encontre de novo seu pr&oacute;prio equil&iacute;brio, relembre as necessidades coletivas da sala e possa retornar, sozinha, a um estado emocional que permita a intera&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel com os colegas e o ambiente.<br /><br />Montessori continua:<br />&#8203;</div>  <div class="paragraph" style="text-align:center;"><em>&#8203;As professoras da Casa das Crian&ccedil;as devem compreender duas coisas: que dirigir &eacute;<br />responsabilidade da professora, e que o exerc&iacute;cio individual &eacute; responsabilidade da crian&ccedil;a. Somente<br />depois de ter fixado isso claramente em suas mentes elas podem proceder racionalmente &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de um<br />m&eacute;todo que guia a educa&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea da crian&ccedil;a e transmite conceitos essenciais.</em></div>  <div class="paragraph" style="text-align:justify;"><br />&#8203;Este &eacute; um texto de presente para a turma que come&ccedil;a sua forma&ccedil;&atilde;o em julho de 2016 pelo Centro de Educa&ccedil;&atilde;o Montessori de S&atilde;o Paulo, com votos de que essa seja uma das principais transforma&ccedil;&otilde;es de suas vidas. Um grande abra&ccedil;o!</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Mínimo Necessário]]></title><link><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/o-minimo-necessario]]></link><comments><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/o-minimo-necessario#comments]]></comments><pubDate>Thu, 02 Jun 2016 20:29:55 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.metodomontessori.com.br/blog/o-minimo-necessario</guid><description><![CDATA[Estamos acostumados a dizer que Montessori &eacute; uma revolu&ccedil;&atilde;o na educa&ccedil;&atilde;o. Reconhecemos a profunda mudan&ccedil;a de perspectiva necess&aacute;ria para uma sala na qual as crian&ccedil;as possam aprender sozinhas, onde o professor interfira o m&iacute;nimo poss&iacute;vel e onde as puni&ccedil;&otilde;es e os pr&ecirc;mios n&atilde;o formem a base da disciplina alcan&ccedil;ada. N&oacute;s aceitamos, embora com alguma dificuldade &agrave;s vezes, muitos dos aspect [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:left;"><span>Estamos acostumados a dizer que <strong>Montessori &eacute; uma revolu&ccedil;&atilde;o na educa&ccedil;&atilde;o</strong>. Reconhecemos a profunda mudan&ccedil;a de perspectiva necess&aacute;ria para uma sala na qual as crian&ccedil;as possam aprender sozinhas, onde o professor interfira o m&iacute;nimo poss&iacute;vel e onde as puni&ccedil;&otilde;es e os pr&ecirc;mios n&atilde;o formem a base da disciplina alcan&ccedil;ada. N&oacute;s aceitamos, embora com alguma dificuldade &agrave;s vezes, muitos dos aspectos importantes de Montessori. Resistimos, com imensa frequ&ecirc;ncia, a um deles, ao que diz (em Pedagogia Cient&iacute;fica):</span></div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="https://www.metodomontessori.com.br/uploads/7/7/9/5/7795604/8466779_orig.jpg" alt=" Imagem " style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph" style="text-align:left;"><span>&Eacute; um princ&iacute;pio, diz Montessori, "do mais alto interesse pedag&oacute;gico"</span><span>&nbsp;</span><span>(Pedagogia Cient&iacute;fica)</span><span>. Por isso, neste texto, quero verificar com voc&ecirc; algumas das vantagens do&nbsp;<strong>m&iacute;nimo necess&aacute;rio</strong>&nbsp;e algumas das desvantagens do&nbsp;<strong>m&aacute;ximo poss&iacute;vel</strong>. Na terceira parte dele, veremos um resumo de um artigo publicado em maio deste ano (05/2016) no Journal of Montessori Research.</span><br /><br /><span>1. Vantagens do m&iacute;nimo necess&aacute;rio.</span><br /><span>A crian&ccedil;a vive, desde sempre, em um ambiente estimulante. A casa onde mora, as ruas por onde passa, as pessoas, os bichos e as m&aacute;quinas que v&ecirc;, as imagens e os sons que a circundam, as cores, os cheiros, os gostos, as infinitas palavras: tudo isso &eacute; est&iacute;mulo e tudo isso &eacute; motiva&ccedil;&atilde;o para aprendizado e curiosidade. Montessori nos diz que a crian&ccedil;a n&atilde;o &eacute; um ausente do mundo. Ao contr&aacute;rio, encontra-se bem presente na realidade e deseja compreend&ecirc;-la e absorv&ecirc;-la completamente. Por isso, o material limitado em quantidade &eacute; um aux&iacute;lio importante para a crian&ccedil;a. Ele servir&aacute;, ent&atilde;o, para colocar ordem em sua mente.</span><br /><br /><span>O material &eacute; como um mapa, uma seguran&ccedil;a &agrave; qual a crian&ccedil;a pode recorrer para acertar sua rota, reafirmar aprendizados ou, mais habitualmente, compreender a dire&ccedil;&atilde;o para onde deve seguir diante de tantas novidades apresentadas pelo mundo. Em poucas palavras:&nbsp;<strong>o material montessoriano &eacute; um conjunto de&nbsp;<em>meios para o desenvolvimento</em>&nbsp;- ele n&atilde;o &eacute; um conjunto de&nbsp;<em>materiais did&aacute;ticos</em>.</strong>&nbsp;E essa &eacute; uma distin&ccedil;&atilde;o fundamental.</span><br /><br /><span>O material limitado em quantidade permite &agrave; crian&ccedil;a (1) uma organiza&ccedil;&atilde;o mental precisa, tanto do mundo quanto de sua sala de aula, (2) a repeti&ccedil;&atilde;o com menores tenta&ccedil;&otilde;es para um desvio do caminho - se h&aacute; materiais demais, a crian&ccedil;a repete menos, e tem menos chances de se desenvolver nas habilidades &agrave;s quais os materiais montessorianos dizem respeito, e (3) o t&eacute;dio, vez por outra, que &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o importante para o nascimento da criatividade - &eacute; s&oacute; diante do t&eacute;dio, do descanso, e da desocupa&ccedil;&atilde;o, que a crian&ccedil;a tem chance de observar o mundo e descobri-lo em suas v&aacute;rias naturezas: biol&oacute;gicas, sociais e ambientais, por exemplo.</span><br /><br /><span>Finalmente, o limite de materiais, essa caracter&iacute;stica crucial do ambiente montessoriano, permite &agrave; crian&ccedil;a uma maior utiliza&ccedil;&atilde;o do material montessoriano justamente. Pela elimina&ccedil;&atilde;o dos quebra-cabe&ccedil;as, dos blocos de empilhar, do lego, das in&uacute;meras atividades em papel que seriam apostiladas numa escola comum e abandonam a apostila e v&atilde;o para a bandeja na escola "montessoriana", abandonando tudo isso, entram em cena os blocos cor-de-rosa (a Torre), os prismas marrons (a Escada) e as barras vermelhas. Entram os fusos, as letras de lixa, o alfabeto m&oacute;vel. Entra em cena aqueles materiais que foram desenvolvidos com intensa pesquisa sobre sua forma, utiliza&ccedil;&atilde;o e benef&iacute;cios. E saem aqueles que foram comprados, impressos ou fabricados&nbsp;<em>porque s&atilde;o bonitos e as crian&ccedil;as gostam</em>. Em uma pedagogia cient&iacute;fica, nosso crit&eacute;rio de sele&ccedil;&atilde;o precisa ser muito mais exigente do que esse. Na &uacute;ltima parte deste texto veremos qual a vantagem de uma conviv&ecirc;ncia maior com o material montessoriano.</span><br /><br /><span>2. Desvantagens do m&aacute;ximo poss&iacute;vel</span><br /><span>Montessori diz: "Enganamo-nos pensando que a crian&ccedil;a "cheia de brinquedos", sempre cercada de ajuda, "deveria ser a mais evolu&iacute;da". Muito pelo contr&aacute;rio,&nbsp;<strong>a multid&atilde;o desordenada de objetos agrava seu estado de esp&iacute;rito semeando nele, novamente, o caos, oprimindo-a e desencorajando</strong>"</span><span>&nbsp;</span><span>(Pedagogia Cient&iacute;fica)</span><span>.</span><br /><br /><span>Quando a sala montessoriana tem materiais demais, a primeira coisa que se nota &eacute; uma grande dificuldade para que as crian&ccedil;as atinjam o que chamamos de&nbsp;<em>normaliza&ccedil;&atilde;o</em>&nbsp;e que, de fato, &eacute; a &uacute;nica justificativa para a exist&ecirc;ncia de uma sala montessoriana para crian&ccedil;as entre tr&ecirc;s e seis anos. &nbsp;Montessori disse que "antes da concentra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o h&aacute; educa&ccedil;&atilde;o", e o que acontece na sala com muitos materiais &eacute; uma busca ingl&oacute;ria por educar crian&ccedil;as que ainda n&atilde;o se concentram, por educar seus c&eacute;rebros sem educar suas m&atilde;os e por&nbsp;<em>ocupar</em>&nbsp;as crian&ccedil;as todo o tempo, sem maiores preocupa&ccedil;&otilde;es com a qualidade da atividade a que a crian&ccedil;a se dedica.</span><br /><br /><span>O excesso de materiais leva a algumas organiza&ccedil;&otilde;es inaceit&aacute;veis de sala de aula, como por exemplo a presen&ccedil;a de tantas bandejas em uma estante que a m&atilde;o da crian&ccedil;a n&atilde;o cabe entre uma e outra, para que ela possa escolher e pegar o que quer. Com grande frequ&ecirc;ncia, os materiais - especialmente de Vida Pr&aacute;tica - precisam ser codificados por cor para que possam ser guardados novamente, e aqui eu n&atilde;o trato da preocupa&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica com a beleza do conjunto do material, que admite inclusive uma escolha de cores, mas da necessidade imperiosa de que tudo tenha a mesma cor porque, se assim n&atilde;o for, nada retorna ao lugar correto.</span><br /><br /><span>A sala com muitos materiais diminui o retorno ao mesmo material, por parte da crian&ccedil;a, que sempre encontra uma novidade interessante. O retorno ao material importa: &eacute; indo v&aacute;rias vezes a ele que o aluno perceber&aacute; seu pr&oacute;prio amadurecimento e far&aacute; de si mesmo um mestre em algumas das habilidades envolvidas ali. O retorno ao material permite a percep&ccedil;&atilde;o de detalhes, o refinamento sensorial elevado, a concentra&ccedil;&atilde;o na evolu&ccedil;&atilde;o da habilidade. Caso contr&aacute;rio, sem o retorno, as escolhas s&atilde;o sempre pelos materiais de final aberto, que n&atilde;o exigem amadurecimento sensorial da crian&ccedil;a, envolvem pouqu&iacute;ssimo controle de erro ou s&atilde;o de papel e excluem a m&atilde;o do processo da aprendizagem.</span><br /><br /><span>3. Um estudo importante para n&oacute;s</span><br /><span>Montessori &eacute; uma pedagogia cient&iacute;fica, antes de ser qualquer outra coisa. Por isso, devemos sustentar nossa pr&aacute;tica em ci&ecirc;ncia, em experimenta&ccedil;&atilde;o controlada, e em estudo. Hoje em dia, possivelmente a principal personalidade envolvida na ci&ecirc;ncia de Montessori seja Angeline Lillard. Pesquisadora e professora na Universidade de Virg&iacute;nia, Lillard &eacute; Diretora do Laborat&oacute;rio de Desenvolvimento Infantil na universidade e publicou, em 2005, o livro&nbsp;<em>Montessori: The Science Behind the Genius -&nbsp;</em>em que identifica as bases cient&iacute;ficas atuais para diversos aspectos de Montessori -, bem como um artigo, em 2007, na Revista Science, no qual investiga os resultados da educa&ccedil;&atilde;o montessoriana, em contraste com os da educa&ccedil;&atilde;o tradicional.</span><br /><br /><span>Em maio deste ano,&nbsp;<a href="https://journals.ku.edu/index.php/jmr/article/download/5678/5243">Lillard publicou um novo artigo</a>, este para o Journal of Montessori Research, buscando compreender as vantagens e/ou desvantagens de ter ou n&atilde;o materiais alternativos a Montessori em uma sala montessoriana. Em resumo, o m&eacute;todo da pesquisa foi escolher tr&ecirc;s salas com professoras montessorianas formadas nas quais havia material suplementar (n&atilde;o-montessoriano) e material montessoriano cl&aacute;ssico. O material suplementar foi retirado de duas salas, e mantido em uma. No come&ccedil;o do processo, experimentos determinaram o desenvolvimento das crian&ccedil;as em leitura, matem&aacute;tica, fun&ccedil;&otilde;es executivas, vocabul&aacute;rio, habilidades sociais e conhecimentos sociais. Nos testes iniciais, as crian&ccedil;a tiveram os mesmos resultados, na m&eacute;dia (a n&atilde;o ser pelo teste de fun&ccedil;&otilde;es executivas. Neste, as crian&ccedil;as da sala que continuaria com material suplementar sa&iacute;ram na frente). Ao final de quatro meses os testes foram aplicados novamente.</span><br /><br /><span>Como resultado, Lillard e Heise descobriram que:</span><ul><li>O tempo gasto com materiais montessorianos aumentou de 34% para 58% do tempo na escola na sala sem materiais suplementares. Na sala sem materiais suplementares, permaneceu est&aacute;vel em 42%.</li><li>As crian&ccedil;as das salas&nbsp;<strong>sem material suplementar</strong>&nbsp;tiveram avan&ccedil;o significativamente superior em leitura. Eles avan&ccedil;aram o dobro dos alunos da sala&nbsp;<strong>com material suplementar</strong>.</li><li>As crian&ccedil;as das salas&nbsp;<strong>sem material suplementar</strong>&nbsp;tiveram&nbsp;<strong>avan&ccedil;o significativamente superior</strong>&nbsp;em fun&ccedil;&otilde;es executivas. Mas come&ccedil;aram muito inferiores, e continuaram com resultados inferiores no final. Mas as crian&ccedil;as da sala&nbsp;<strong>com material suplementar</strong>&nbsp;n&atilde;o tiveram avan&ccedil;o nenhum.</li><li>As crian&ccedil;as das salas&nbsp;<strong>sem material suplementar</strong>&nbsp;tiveram um avan&ccedil;o um pouco superior em matem&aacute;tica.&nbsp;</li><li>N&atilde;o houve diferen&ccedil;a significativa nos resultados para vocabul&aacute;rio, habilidades sociais e conhecimentos sociais.</li></ul><br /><br /><span>Sucintamente, esses resultados devem colocar todo professor montessoriano para pensar:&nbsp;<strong>n&atilde;o existe nenhum benef&iacute;cio em ter materiais n&atilde;o-montessorianos na sala de aula montessoriana</strong>. Mais testes precisam ser feitos, &eacute; claro. Mas at&eacute; o presente momento, Montessori e as pesquisas mais atuais apontam para a mesma coisa: aplicado de maneira estrita, Montessori pode oferecer vantagens fant&aacute;sticas para o desenvolvimento da crian&ccedil;a. Utilizado de forma flexibilizada, oferece menos benef&iacute;cios e n&oacute;s ignoramos, cientificamente, os resultados dessa pr&aacute;tica.</span><br /><br /><span>H&aacute; quem chame esta maneira de ver Montessori de&nbsp;<em>purista</em>&nbsp;e argumente que &eacute; necess&aacute;rio trazer Montessori aos novos tempos. Argumentamos aqui que n&atilde;o se trata tanto de purismo quanto de radicalismo. &Eacute; radical - &eacute; respeitar as ra&iacute;zes, ent&atilde;o - utilizar Montessori de maneira cl&aacute;ssica. E &eacute; radical - revolucion&aacute;rio, portanto - utilizar Montessori em todo o seu potencial. &Eacute; atenuar o radicalismo de Montessori, e da&iacute; diminuir o potencial da metologia, flexibilizar seus aspectos fundamentais. Montessori tamb&eacute;m nos disse, em A Educa&ccedil;&atilde;o e a Paz: "Uma educa&ccedil;&atilde;o capaz de salvar a humanidade n&atilde;o &eacute; tarefa pequena". Nossa tarefa &eacute; imensa, e ela &eacute; tamb&eacute;m humilde: devemos ser capazes de respeitar o que aprendemos, utilizar aquilo que foi desenvolvido pelo g&ecirc;nio de Montessori, e somente com muita observa&ccedil;&atilde;o, muito cuidado e crit&eacute;rios muito exigentes, fazer altera&ccedil;&otilde;es ou adi&ccedil;&otilde;es ao m&eacute;todo. Trazer Montessori para o nosso tempo &eacute; atentar para e respeitar aquilo que a ci&ecirc;ncia de nosso tempo nos demonstra, e ela nos mostra que Montessori estava certa.</span><br /><br /><span><strong>Refer&ecirc;ncias</strong>:</span><br /><span>Maria Montessori - Pedagogia Cient&iacute;fica</span><br /><span>Maria Montessori - A Educa&ccedil;&atilde;o e a Paz</span><br /><span>Lillard e Heise - Removing Supplementary Materials from Montessori Classrooms Changed Child Outcomess - Journal of Montessori Research, 2016, Vol. 2.</span><br />&#8203;</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Educar em Paz I - Paz Interior]]></title><link><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/educar-em-paz-i-paz-interior]]></link><comments><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/educar-em-paz-i-paz-interior#comments]]></comments><pubDate>Sat, 27 Feb 2016 16:35:53 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.metodomontessori.com.br/blog/educar-em-paz-i-paz-interior</guid><description><![CDATA[Falamos bastante de Montessori como uma educa&ccedil;&atilde;o para a Paz. Hoje, aqui, eu quero pensar de uma forma levemente diferente. Quero pensar em Montessori como uma Educa&ccedil;&atilde;o em Paz. H&aacute; uma pequena diferen&ccedil;a. Pensar em uma Educa&ccedil;&atilde;o para a Paz por si s&oacute; j&aacute; &eacute; um objetivo muito nobre, e &eacute; nobil&iacute;ssimo se levarmos em considera&ccedil;&atilde;o o per&iacute;odo hist&oacute;rico em que a proposta de Montessori se fez: e [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:justify;">Falamos bastante de Montessori como uma <em>educa&ccedil;&atilde;o <u>para</u> a Paz. </em>Hoje, aqui, eu quero pensar de uma forma levemente diferente. Quero pensar em Montessori como uma Educa&ccedil;&atilde;o <em><u>em</u></em> Paz. H&aacute; uma pequena diferen&ccedil;a. Pensar em uma Educa&ccedil;&atilde;o para a Paz por si s&oacute; j&aacute; &eacute; um objetivo muito nobre, e &eacute; nobil&iacute;ssimo se levarmos em considera&ccedil;&atilde;o o per&iacute;odo hist&oacute;rico em que a proposta de Montessori se fez: entre e p&oacute;s Guerras Mundiais. Nesse contexto, pensar em uma educa&ccedil;&atilde;o para a paz &eacute; pensar em um futuro poss&iacute;vel, em uma gera&ccedil;&atilde;o seguinte que possa viver de uma maneira melhor e mais humana, num mundo diferente e mais digno para todos, que vir&aacute; pelas m&atilde;os daqueles que agora ainda s&atilde;o pequenos, mas que, porque passaram por um processo educacional <em>para</em> a Paz, poder&atilde;o construir a Paz mesmo depois de j&aacute; n&atilde;o estarmos mais aqui.<br /><br />Quem vem estudando o humano [1] [2] [3] vem percebendo, no entanto, que &eacute; dif&iacute;cil levar paz ao outro sem ter paz consigo. &Eacute; dif&iacute;cil, para mim, educar o outro para a paz, se eu mesmo n&atilde;o vivo em paz, se eu mesmo n&atilde;o busco a paz em cada passo e palavra. Educar para a paz &eacute; educar-se para a paz. Da&iacute;, Educar <em><u>em</u> </em>Paz. Montessori disse em <em>Mente Absorvente</em> que a revolu&ccedil;&atilde;o que ela propunha n&atilde;o poderia ter nada de violento, porque qualquer grau de viol&ecirc;ncia indicaria o fracasso de todo o seu processo de salva&ccedil;&atilde;o da humanidade. Se nossa revolu&ccedil;&atilde;o &eacute; uma revolu&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica, ent&atilde;o ao longo de todo o processo, n&oacute;s devemos ter a paz n&atilde;o s&oacute; como objetivo, mas como modus operandi.<br /><br />Montessori prop&otilde;e para n&oacute;s, em 1913 [4], que o conceito de <em>liberdade</em> que ela utiliza &eacute; biol&oacute;gico, e que para ela a liberdade &eacute; o conjunto de condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias &agrave; vida. Assim, uma &aacute;rvore &eacute; livre quando pode ter suas ra&iacute;zes muito firmes em um solo nutritivo e espa&ccedil;oso, mas uma gaivota &eacute; livre quando pode voar dist&acirc;ncias saud&aacute;veis e encontrar alimento adequado. A Terra, proporia Montessori, entrega aos seres viventes tudo aquilo de que necessitam para a liberdade biol&oacute;gica, e a satisfa&ccedil;&atilde;o dessas condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias &agrave; vida seria tamb&eacute;m base para a constru&ccedil;&atilde;o da paz &ndash; &eacute; claro, se pensarmos um pouco, que quando todos tiverem as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias &agrave; sua exist&ecirc;ncia preenchidas, n&atilde;o h&aacute; mais pelo que guerrear, sen&atilde;o por nossas ang&uacute;stias e ilus&oacute;rias faltas, e essas, precisamos crer, podem ser prevenidas por um processo educacional pac&iacute;fico.<br /><br />Se eu proponho que partamos para uma vis&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o para a Paz mais radical, n&atilde;o me afasto de Montessori, mas me acomodo sob sua sombra e sob a mem&oacute;ria de suas palavras, e proponho que fa&ccedil;amos como ela e alcancemos os conhecimentos mais fundamentais sobre <em>levar paz ao outro</em> para que utilizemos esse conhecimento em nossa pr&aacute;tica pedag&oacute;gica.<br /><br />Para que possamos educar em paz, precisamos desenvolver um mesmo tipo de atitude, em duas dire&ccedil;&otilde;es diferentes: para dentro de n&oacute;s, e para fora de n&oacute;s. Ele precisa acontecer para dentro de n&oacute;s primeiro, e n&atilde;o pode ser ignorado, porque se n&atilde;o trabalharmos conosco mesmos em paz, n&atilde;o podemos trabalhar assim com as crian&ccedil;as.<br /><br />O processo que precisamos desenvolver consiste em uma afirma&ccedil;&atilde;o e duas perguntas [5]. Essa pr&aacute;tica deve ser repetida sempre que houver um problema. O primeiro passo &eacute; a afirma&ccedil;&atilde;o:<br />&nbsp;<br /><em><strong>Oi, eu estou aqui para voc&ecirc;.<br /></strong></em>&nbsp;<br />Quando uma crian&ccedil;a n&atilde;o nos obedece, tenta nos agredir ou faz qualquer coisa que nos fa&ccedil;a duvidar de n&oacute;s, surgem muitas sensa&ccedil;&otilde;es ruins, misturadas e confusas, entre a garganta e a cintura. Sensa&ccedil;&otilde;es pesadas, apertadas, quentes, frias, escuras, doloridas. E n&oacute;s damos vaz&atilde;o a isso por meio da agress&atilde;o contra a crian&ccedil;a ou tentamos eliminar isso por meio da agress&atilde;o contra n&oacute;s mesmos. O processo aqui &eacute; um terceiro. &Eacute; pegar esse sentimento no colo &ndash; como voc&ecirc; pegaria um filho que chora &ndash; e dizer a ele: <em>Oi, eu estou aqui para voc&ecirc;</em>. Sem rep&uacute;dio, nojo, medo. Ele &eacute; s&oacute; um sentimento, indefeso, e precisa de aten&ccedil;&atilde;o e carinho. <em>Oi, eu estou aqui para voc&ecirc;</em>. S&oacute; isso, s&oacute; duas ou tr&ecirc;s respira&ccedil;&otilde;es profundas enquanto voc&ecirc; diz para esse sentimento dentro de voc&ecirc; que <em>voc&ecirc; est&aacute; aqui</em>, isso deixa o sentimento em seguran&ccedil;a, mais tranquilo, mais em paz. Exatamente como acontece com o beb&ecirc; carregado no colo. <em>Oi, eu estou aqui para voc&ecirc;</em>.<br />O segundo passo no processo interior &eacute; descobrir o que disparou o sentimento confuso. Para isso, n&atilde;o tem jeito, precisamos segur&aacute;-lo no colo e perguntar:<br />&nbsp;<br /><em><strong>O que aconteceu, meu querido?<br /></strong></em>&nbsp;<br />E ele vai responder. Ele vai chorar um pouco, e espernear um pouco. Talvez ele te agrida um pouco, porque est&aacute; desesperado, e ent&atilde;o te segure forte e soluce um pouco. Nesse meio tempo, voc&ecirc; respira, e voc&ecirc; preta aten&ccedil;&atilde;o na sua respira&ccedil;&atilde;o. Inspirando, perceba o ar entrando, e expirando, perceba o ar saindo, enquanto voc&ecirc; espera a resposta do seu sentimento confuso, e conforme ele sentir que voc&ecirc; <em>est&aacute; l&aacute; mesmo para ele</em> e que voc&ecirc; <em>quer saber mesmo o que aconteceu</em>, aos poucos ele te conta, e ele fica mais tranquilo, porque quando contamos coisas n&oacute;s ficamos mesmo mais tranquilos, e acontece o mesmo com sentimentos confusos. E a&iacute;, voc&ecirc; n&atilde;o precisa ter medo da resposta: talvez ela te revele aspectos da sua personalidade que voc&ecirc; preferia ignorados, mas Montessori nos diz que para corrigirmos defeitos de nossas personalidades, o primeiro passo &eacute; conhecer bem cada um deles [7]. Deixe seu sentimento confuso falar, e repita com carinho: <em>O que aconteceu, meu querido? O que aconteceu?</em><br />Finalmente, o terceiro passo &eacute; permitir que ele se acalme nos seus bra&ccedil;os e a&iacute;, finalmente, perguntar, com seriedade, considera&ccedil;&atilde;o e cuidado:<br />&nbsp;<br /><em><strong>O que eu posso fazer para ajudar?</strong></em><br />&nbsp;<br />E voc&ecirc; vai descobrir, estarrecido, que a resposta geralmente &eacute; simples. Pode ser &ldquo;Ir l&aacute; fora, com uma crian&ccedil;a, procurar uma flor para decorar a sala&rdquo;. Pode ser &ldquo;Tomar um copo d&rsquo;&aacute;gua em sil&ecirc;ncio, olhando pela janela&rdquo;. Pode ser at&eacute; &ldquo;Apresentar um material importante para a Tha&iacute;s, enquanto pe&ccedil;o para um colega cuidar do ambiente&rdquo;. As solu&ccedil;&otilde;es quase sempre s&atilde;o simples, no curto e no longo prazo, e felizmente s&atilde;o muito repetitivas. Voc&ecirc; descobrir&aacute;, aos poucos, que um m&eacute;todo delicioso de estar em paz &eacute; se portar sempre como nos portamos na apresenta&ccedil;&atilde;o de um material de Vida Pr&aacute;tica: <a href="http://zenhabits.net/12-essential-rules-to-live-more-like-a-zen-monk/">Respire, Sorria e V&aacute; Devagar</a>. E quando estiver dif&iacute;cil, retorne, Respire, Sorria e V&aacute; Devagar. O retorno constante &agrave; postura de carinho e cuidado conosco nos ajuda a ter carinho e a cuidar do ambiente, a ter carinho e a cuidar das crian&ccedil;as. Aos poucos, respirar, sorrir e ir devagar tornam-se sua identidade, e as palavras e os gestos r&iacute;spidos desaparecem lentamente.<br />No pr&oacute;ximo texto, n&oacute;s vamos retomar esse processo, a a firma&ccedil;&atilde;o e as duas perguntas, e ver como elas podem ser feitas de dentro para fora, para ajudar a ver melhor a sala, a entender melhor nossas crian&ccedil;as e a depositar afeto e aten&ccedil;&atilde;o em nossos ambientes preparados.<br />&nbsp;<br /><em>Este texto &eacute; dedicado a Paige Geiger, que aniversariou ontem, e a Marion Wallis, diretoras do Centro de Educa&ccedil;&atilde;o Montessori de S&atilde;o Paulo, que nos ensinam a educar em paz e para a paz, em cada gesto e palavra. Sempre obrigado.</em><br />&nbsp;<br />&#8203;-<br />Refer&ecirc;ncias:<br />[1] <a href="http://www.esextante.com.br/livros/coragem-de-ser-imperfeito-a/">Bren&eacute; Brown &ndash; A Coragem de Ser Imperfeito</a><br />[2] <a href="http://www.palasathena.org.br/editora_interna.php?livro_id=79">Matthieu Riccard &ndash; A Revolu&ccedil;&atilde;o do Altru&iacute;smo</a><br />[3] <a href="http://www.emartinsfontes.com.br/arte-da-felicidade-a-um-manual-para-a-vida-p1336/">S.S. o Dalai Lama &ndash; A Arte da Felicidade</a><br />[4] <a href="https://montessori-pierson.com/the-montessori-series-english/vol-18-the-1913-rome-lectures.html">Maria Montessori &ndash; The 1913 Rome Lectures</a><br />[5] Thich Nhat Hanh &ndash; em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=NJ9UtuWfs3U">https://www.youtube.com/watch?v=NJ9UtuWfs3U</a><br />[6] Maria Montessori &ndash; Mente Absorvente (esgotado em editora)<br />[7, base para todo o texto] Maria Montessori &ndash; A Crian&ccedil;a (esgotado em editora)<br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Sete Maneiras de Oprimir Crianças]]></title><link><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/sete-maneiras-de-oprimir-criancas]]></link><comments><![CDATA[https://www.metodomontessori.com.br/blog/sete-maneiras-de-oprimir-criancas#comments]]></comments><pubDate>Tue, 13 Oct 2015 01:33:36 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.metodomontessori.com.br/blog/sete-maneiras-de-oprimir-criancas</guid><description><![CDATA[Nenhum problema social &eacute; mais universal do que a opress&atilde;o da crian&ccedil;a. Para n&atilde;o errar nenhuma palavra desta frase, olho para cima, onde a cita&ccedil;&atilde;o de Montessori est&aacute; pendurada, em minha lousa de estudo. Ela fica l&aacute;, para me lembrar todos os dias: hoje, voc&ecirc; vai encontrar crian&ccedil;as, e hoje voc&ecirc; vai encontrar adultos que ainda n&atilde;o pararam para pensar nas crian&ccedil;as. Liberte-as, permita que se libertem.&nbsp;N&oacut [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:left;"><strong>Nenhum problema social &eacute; mais universal do que a opress&atilde;o da crian&ccedil;a.</strong> Para n&atilde;o errar nenhuma palavra desta frase, olho para cima, onde a cita&ccedil;&atilde;o de Montessori est&aacute; pendurada, em minha lousa de estudo. Ela fica l&aacute;, para me lembrar todos os dias: <em>hoje, voc&ecirc; vai encontrar crian&ccedil;as, e hoje voc&ecirc; vai encontrar adultos que ainda n&atilde;o pararam para pensar nas crian&ccedil;as. Liberte-as, permita que se libertem.</em><br />&nbsp;<br />N&oacute;s, montessorianos, vivemos em uma posi&ccedil;&atilde;o privilegiada e de grande responsabilidade: por um lado, temos um conhecimento raro, compartilhado por poucos, que nos permite entender a vida, a civiliza&ccedil;&atilde;o, a hist&oacute;ria e o ser humano de uma forma especial, que beira ou transborda o encanto e a magia. Por outro lado, est&aacute; em nossas m&atilde;os e em nossas vozes fazer o <em>s&eacute;culo da crian&ccedil;a</em>. Montessori acreditou que o s&eacute;culo da crian&ccedil;a seria o XX. Mas n&atilde;o foi. O XX foi o s&eacute;culo da Guerra. Est&aacute; mesmo em nossas m&atilde;os cuidar para que este s&eacute;culo termine com a liberta&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as. Felizmente, isso parece prov&aacute;vel.<br /><br />Hoje, mais do que em qualquer momento da hist&oacute;ria, percebemos as diversas formas de opress&atilde;o: a mulher, o negro, o pobre, o portador de defici&ecirc;ncias ou necessidades especiais, todos est&atilde;o sendo mais e mais notados, melhor e melhor vistos por si e pelos seus <em>outros</em>. As lutas sociais ganham cada vez mais corpo e a compaix&atilde;o ganha cada vez mais espa&ccedil;o no mundo, como valor pessoal, filos&oacute;fico e pol&iacute;tico. Nosso tempo &eacute; um tempo de sorte para quem luta pela paz &ndash; segundo Montessori, &eacute; isso que fazemos.<br /><br />&Eacute; claro que nosso papel, portanto, &eacute; o absurdo. Nosso papel &eacute; o extremo e o inaceit&aacute;vel. Montessori disse que <em>todo o seu m&eacute;todo come&ccedil;ou com uma heresia</em>. Em retrospecto, podemos contar v&aacute;rias: crian&ccedil;as com Necessidades Educacionais Especiais podiam aprender; crian&ccedil;as podiam aprender sozinhas; crian&ccedil;as podiam ser respeitadas; crian&ccedil;as podiam ser deixadas em liberdade; a ajuda que pensamos dar &eacute; em verdade obst&aacute;culo ao desenvolvimento; o adulto &eacute; um tirano.<br /><br />N&atilde;o podemos, hoje, ter medo das heresias de Montessori. Elas s&atilde;o urgentes como eram em 1907. E hoje, especialmente nas partes do mundo mais ligadas &agrave;s lutas sociais, essas heresias, com algum esfor&ccedil;o, podem encontrar espa&ccedil;o para crescer, florescer e frutificar. Assim, &eacute; uma s&eacute;rie de heresias que quero propor aqui, listando maneiras por meio das quais oprimimos crian&ccedil;as. Como qualquer lista, ela ser&aacute; incompleta, e como qualquer lista, ser&aacute; mais absoluta, talvez, do que devesse.<br /><br />Assim mesmo, desejo a propor. Em nossa luta para <em>libertar a crian&ccedil;a do adulto</em> precisamos pensar e repensar coisas, atitudes. Com a humildade (Montessori disse a <em>humilha&ccedil;&atilde;o</em> mesmo) de aceitarmos quando estamos errados, e quando aquilo que nos parecia natural, at&eacute; mesmo necess&aacute;rio, se mostra potencialmente errado, potencialmente desrespeitoso e opressor. Ent&atilde;o, &agrave; lista. Ela ser&aacute; pequena, mas eu sei que nos coment&aacute;rios ela poder&aacute; ficar muito maior, com a contribui&ccedil;&atilde;o de todos voc&ecirc;s.<br /><br /><strong>1. N&oacute;s tocamos crian&ccedil;as sem o convite delas. </strong>Isso nos &eacute; vetado pelo primeiro princ&iacute;pio para educadores montessorianos, listado pela pr&oacute;pria Maria Montessori. Mas nem sempre &eacute; um princ&iacute;pio que respeitamos, e n&oacute;s tocamos crian&ccedil;as na escola, na rua, nas casas de outras pessoas sem que elas nos convidem de nenhuma forma. Isso refor&ccedil;a a cren&ccedil;a de que o corpo de um ser humano pertence a quem quiser toc&aacute;-lo. N&oacute;s sabemos as tr&aacute;gicas consequ&ecirc;ncias desse tipo de cren&ccedil;a.<br /><strong><br />2.&nbsp;N&oacute;s proibimos crian&ccedil;as de desempenharem a&ccedil;&otilde;es perfeitamente razo&aacute;veis</strong>. O motivo pelo qual fazemos isso geralmente &eacute; que estamos cansados ou que tememos que elas fa&ccedil;am um estrago quando tentarem fazer o que querem. Nosso medo da incompet&ecirc;ncia alheia n&atilde;o deveria inibir o trabalho das crian&ccedil;as. Novamente aqui, sabemos que a desconfian&ccedil;a sobre a compet&ecirc;ncia de algu&eacute;m que &eacute; diferente de mim s&oacute; porque esse algu&eacute;m &eacute; diferente de mim pode ter consequ&ecirc;ncias muito ruins.<br /><strong><br />3.&nbsp;N&oacute;s rimos das contribui&ccedil;&otilde;es s&eacute;rias das crian&ccedil;as</strong>. Sob o pretexto da <em>fofura</em>, n&oacute;s gargalhamos frente &agrave; argumenta&ccedil;&atilde;o infantil s&eacute;ria. Qualquer adjetivo &eacute; cultural (o que n&atilde;o quer dizer que suas consequ&ecirc;ncias sejam todas ruins ou que as consequ&ecirc;ncias da cren&ccedil;a n&atilde;o sejam neurol&oacute;gicas): achar crian&ccedil;as fofas, engra&ccedil;adinhas, divertidas ou incr&iacute;veis &eacute; cultural. N&oacute;s podemos achar qualquer coisa. Mas n&atilde;o podemos rir diante de uma crian&ccedil;a que, seriamente, busca conversar conosco ou contribuir para uma discuss&atilde;o.<br /><strong><br />4.&nbsp;N&oacute;s falamos com as crian&ccedil;as de formas que jamais falar&iacute;amos com adultos</strong>. Damos ordens a nosso bel prazer, chamamos as crian&ccedil;as por adjetivos diversos, gritamos, perdemos a calma com rapidez, somos est&uacute;pidos, humilhamos e ofendemos. De acordo com os &uacute;ltimos cap&iacute;tulos de Mente Absorvente, as notas escolares entrariam no grupo das humilha&ccedil;&otilde;es. N&oacute;s n&atilde;o falar&iacute;amos com adultos assim (eu espero que n&atilde;o) e n&atilde;o podemos falar com crian&ccedil;as assim. Esse item tamb&eacute;m vai contra o d&eacute;cimo princ&iacute;pio de Montessori<strong>.</strong><br /><strong><br />5. N&oacute;s n&atilde;o consideramos crian&ccedil;as como seres humanos normais</strong>. N&atilde;o existem (ainda bem!!!) programas de televis&atilde;o sobre t&eacute;cnicas opressivas para fazer adultos comerem pratos com cinco ingredientes, sem ver TV, at&eacute; o final. Existem dicas, conselhos, e eles t&ecirc;m como foco a sa&uacute;de, simplesmente, n&atilde;o o <em>ser </em>inteiro. Programas de TV sobre alimenta&ccedil;&atilde;o e disciplina infantil diminuem a crian&ccedil;a a um animal de estima&ccedil;&atilde;o e fazem com seres humanos o que Dr. Pet faz com c&atilde;es.<br /><strong><br />6.&nbsp;N&oacute;s rimos das dores das crian&ccedil;as e as minimizamos. </strong>Rir das falhas das crian&ccedil;as &eacute; rir das falhas de um ser humano que se esfor&ccedil;a e n&atilde;o consegue. &Eacute; rir de algu&eacute;m que d&aacute; o m&aacute;ximo de si e erra. &Eacute; rir de algu&eacute;m que aposta tudo o que tem e perde. Dizer que <em>n&atilde;o foi nada</em> quando uma crian&ccedil;a se machucou, se chateou ou foi ofendida &eacute; dizer que <em>n&atilde;o foi nada</em> para um ser humano que sofre, que sofreu abusos, opress&otilde;es, perdas. A compaix&atilde;o pede de n&oacute;s que superemos a tentativa de nos livrarmos rapidamente do problema e, aceitando que<em> foi alguma coisa</em> lidemos com ele.<br /><strong><br />7.&nbsp;N&oacute;s fazemos piadas sobre crian&ccedil;as entre adultos e usamos adjetivos ligados &agrave; inf&acirc;ncia como ofensa.</strong> Memes, figuras, frases, tweets e posts sobre crian&ccedil;as que tenham como objetivo sua ridiculariza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o erros graves. &Eacute; diferente de rir de uma <em>situa&ccedil;&atilde;o</em>, como rimos de situa&ccedil;&otilde;es entre adultos. A distin&ccedil;&atilde;o &eacute; assim: se a piada diminui a crian&ccedil;a <em>pelo fato de ela ser crian&ccedil;a</em>, est&aacute; errado e &eacute; opress&atilde;o. Tamb&eacute;m est&aacute; errado usar &ldquo;infantil&rdquo;, &ldquo;criancice&rdquo;, &ldquo;crian&ccedil;a&rdquo;, &ldquo;bebez&atilde;o&rdquo; e outros termos ligados &agrave; inf&acirc;ncia como termos pejorativos para humilhar adultos.<br /><br />Eu n&atilde;o planejei quantas formas de opress&atilde;o colocaria na lista. H&aacute; muitas mais do que aparecem a&iacute;. Eu escrevi quantas couberam em uma p&aacute;gina A4 com letra e espa&ccedil;amento padr&atilde;o. Quando descubro uma nova forma de opress&atilde;o contra a crian&ccedil;a, fico envergonhado e pensativo. Confuso tamb&eacute;m seria um termo adequado. &Eacute; minha esperan&ccedil;a que todos fiquemos um pouco assim, e essa pequena lista nos fa&ccedil;a (re)pensar. N&oacute;s n&atilde;o precisamos concluir. Algu&eacute;m disse que <em>a revolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; um evento de um dia s&oacute;</em>. Mas n&oacute;s n&atilde;o podemos parar de lutar. Disse Montessori: <em>continuamos porque precisamos, porque &eacute; assim que &eacute; e &eacute; assim que deve ser</em>. Continuemos.</div>]]></content:encoded></item></channel></rss>